Ano novo azedou para o prefeito do Recife: João Campos recua de nomeação irregular após escândalo nacional envolvendo vaga PcD

Prefeitura do Recife torna sem efeito a reclassificação que levou Lucas Vieira Silva, filho de procuradora, da 63ª colocação à vaga de procurador; desgaste fortalece cenário de reeleição de Raquel Lyra.

 Ano novo azedou para o prefeito do Recife: João Campos recua de nomeação irregular após escândalo nacional envolvendo vaga PcD Prefeitura do Recife torna sem efeito a reclassificação que levou Lucas Vieira Silva, filho de procuradora, da 63ª colocação à vaga de procurador; desgaste fortalece cenário de reeleição de Raquel Lyra.

Foto: Reprodução

A gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), encerra o ano sob forte desgaste político após a repercussão nacional negativa envolvendo a nomeação de um candidato para o cargo de procurador do município a partir de uma reclassificação em vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PcD). O concurso público foi realizado em dezembro de 2022, mas o laudo que atestava a deficiência do nomeado só foi apresentado três anos depois, o que levantou questionamentos jurídicos e institucionais.

O nomeado era Lucas Vieira Silva, filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas, órgão vinculado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Inicialmente inscrito na ampla concorrência, Lucas obteve a 63ª colocação. Após a alteração no edital, foi reposicionado para ocupar a vaga reservada a PcD, ultrapassando candidatos que aguardavam nomeação desde a homologação do certame.

Diante da pressão crescente, o prefeito João Campos recuou e tornou sem efeito a nomeação. O cancelamento foi publicado na edição desta terça-feira (31) do Diário Oficial do Município. Com a decisão, Marko Vinicio dos Santos Batista, classificado em primeiro lugar na lista de PcD desde a homologação original do concurso, volta a ser reconhecido como o legítimo ocupante da vaga, após mais de dois anos de espera.

Nos bastidores da Prefeitura e entre servidores, a avaliação é de que o recuo evitou um problema jurídico maior, mas não impediu o desgaste político. Críticas também recaem sobre o procurador-geral do município, Pedro Pontes, acusado de falha grave ao avalizar uma mudança considerada incompatível com os princípios da legalidade, isonomia e segurança jurídica. A Associação dos Procuradores do Município chegou a alertar formalmente para os riscos da alteração, enquanto a OAB-PE manteve silêncio sobre o caso.

Apesar de a assessoria de João Campos ter divulgado inicialmente nota defendendo a legalidade do ato ao portal Metrópoles, a Prefeitura voltou atrás diante da reação negativa. Para aliados e analistas políticos, o episódio acendeu um sinal de alerta no grupo do prefeito, sobretudo com foco nas eleições de 2026. A leitura predominante é que o desgaste pode abrir espaço para a governadora Raquel Lyra reassumir a dianteira nas pesquisas, aproximando o cenário de uma possível reeleição.

Internamente, o caso é visto como um erro político de alto custo. Embora o recuo tenha preservado a legalidade do concurso, a avaliação é de que a crise já produziu efeitos duradouros sobre a imagem da gestão, marcando o encerramento do ano com um episódio que ultrapassou os limites locais e ganhou dimensão nacional.

Redação

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