Festival no Recife celebra neurodiversidade com programação inclusiva e gratuita Evento no Sítio Trindade reúne oficinas sensoriais, apresentações culturais e protagonismo de jovens neurodivergentes no mês de conscientização sobre o autismo
Evento no Sítio Trindade reúne oficinas sensoriais, apresentações culturais e protagonismo de jovens neurodivergentes no mês de conscientização sobre o autismo

No próximo sábado (18), o Sítio Trindade, no bairro de Casa Amarela, recebe a terceira edição do Festival Viva as Diferenças. O evento, que ocorre das 15h às 19h, oferece uma programação gratuita voltada ao lazer interativo e à autonomia de crianças e jovens com neurodivergências. A iniciativa busca aproximar a sociedade do debate sobre a neurodiversidade por meio de um ambiente adaptado e acolhedor.
Diferente de eventos meramente contemplativos, o festival foca no protagonismo dos participantes atípicos, que atuam diretamente na execução de oficinas e na comercialização de produtos. O encontro também celebra os 10 anos de atuação da Clínica Aprimore, organizadora da ação, e integra o calendário do mês de conscientização sobre o autismo.
Atividades sensoriais e apresentações culturais
A estrutura do evento foi planejada para ser sensorialmente amigável, respeitando as necessidades de indivíduos com diferentes níveis de suporte. A programação inclui:
- Oficinas interativas: produção de bolhas de sabão, confecção de instrumentos musicais e plantio de mudas.
- Gastronomia: venda de salgados, doces e molho pesto produzidos pelos próprios jovens em terapias ocupacionais.
- Artes cênicas: apresentação da Escola Pernambucana de Circo e exibição de curtas-metragens ao ar livre.
- Dança e música: performance da bailarina Amanda Lima, primeira dançarina de ponta com Síndrome de Down do Norte/Nordeste, e show da Banda Fim de Feira com a participação de pacientes.
Para Juliana Maia, fonoaudióloga e sócia fundadora da Aprimore, a exposição a práticas culturais é parte do desenvolvimento terapêutico.
“Incentivamos que nossos crianças e jovens possam experimentar todos os recursos possíveis envolvendo práticas culturais, artísticas e cotidianas, focando no respeito às suas habilidades, interesses e autonomia”, afirma.
O cenário da neurodivergência no Brasil
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), o que representa 1,2% da população. A maior concentração de diagnósticos ocorre na faixa etária entre 5 e 9 anos.
Juliana Maia ressalta que o avanço nos números exige uma resposta mais robusta do Estado e da sociedade civil.
“As pesquisas censitárias são fundamentais para direcionar as políticas públicas para os grupos identificados, mas é preciso refinar as categorias e ampliar o diálogo educativo para a sociedade sobre as necessidades e os direitos de pessoas neuroatípicas”, pontua a especialista.




