Avião de Ciro Nogueira é bloqueado por ordem do STF em investigação sobre o Banco Master Decisão do ministro André Mendonça atende pedido da Polícia Federal em apuração sobre suposto esquema de propina envolvendo interesses do banco no Senado
Decisão do ministro André Mendonça atende pedido da Polícia Federal em apuração sobre suposto esquema de propina envolvendo interesses do banco no Senado

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou o bloqueio judicial de um avião pertencente ao senador Ciro Nogueira (PP) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A medida foi tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal (PF), há indícios de que o parlamentar teria recebido propina para atuar em favor dos interesses do banco no Senado. A informação sobre o bloqueio foi confirmada em registros da Anac obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A Certidão de Propriedade e Ônus Reais da aeronave aponta a inscrição de ordem judicial de sequestro e indisponibilidade sobre o avião modelo Beech Aircraft B200, de matrícula PT-WSX. A aeronave, registrada em nome do senador e de sua ex-esposa, é um bimotor executivo com capacidade para nove passageiros e valor estimado em cerca de R$ 10 milhões.
Com a decisão judicial, o avião não pode ser transferido, negociado ou ter a propriedade alterada até nova determinação da Justiça.
Figura de destaque do Centrão e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira se tornou o primeiro congressista oficialmente incluído nas investigações da PF relacionadas às fraudes envolvendo o Banco Master.
Em 7 de maio, o senador foi alvo de mandados de busca e apreensão durante mais uma fase da Operação Compliance Zero. De acordo com os investigadores, mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram conversas com o parlamentar e ordens de pagamento direcionadas a uma pessoa identificada como “Ciro”.
Investigação
A investigação aponta ainda que o senador teria apresentado ao Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) alinhada aos interesses do banco. Em uma das mensagens analisadas pela PF, Vorcaro afirma que a proposta “saiu exatamente como mandei”.
Segundo os investigadores, o texto protocolado por Ciro Nogueira coincidia “de forma integral” com uma minuta preparada pela assessoria do Banco Master. A PF afirma ainda que mensagens indicam que o documento teria sido entregue em um envelope no endereço do senador.
A proposta previa mudanças no regime jurídico do Banco Central e sugeria ampliar o limite de cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o valor dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Na avaliação da PF, a alteração beneficiaria diretamente o Banco Master, que utilizava a captação de recursos de pessoas físicas por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para ampliar seu patrimônio. A proposta, no entanto, não foi aprovada.




