Empreendimentos com estrutura voltada para saúde, lazer e qualidade de vida podem alcançar valorização de até 25%, segundo estudos do setor
Bem-estar passa a influenciar valor dos imóveis e impulsiona nova tendência no mercado imobiliário
Durante décadas, fatores como localização, metragem, padrão construtivo e infraestrutura foram determinantes para a valorização de um imóvel. Agora, um novo conceito vem ganhando força no mercado imobiliário: o wellness, modelo que integra saúde, bem-estar e qualidade de vida ao cotidiano dos moradores.
A tendência acompanha uma mudança no perfil dos consumidores, que passaram a valorizar cada vez mais ambientes capazes de promover equilíbrio físico e mental. O movimento já influencia projetos residenciais de alto padrão no Brasil e em outros mercados internacionais.
Estudos do setor apontam que empreendimentos desenvolvidos com conceitos estruturados de bem-estar podem apresentar valorização entre 10% e 25% em comparação a imóveis convencionais. Em segmentos de luxo, a diferença nos preços de venda pode variar entre 7% e 11%, dependendo da localização e da qualidade da infraestrutura oferecida.
A busca por uma rotina mais saudável ajuda a explicar o crescimento desse mercado. Em uma sociedade que vive mais e tem acesso crescente a informações sobre saúde preventiva e longevidade, espaços voltados ao cuidado físico e emocional deixaram de ser exclusividade de hotéis, resorts e spas para se tornarem parte dos projetos residenciais.
O que realmente agrega valor
Especialistas do setor avaliam que nem toda estrutura associada ao wellness gera o mesmo impacto na valorização imobiliária. Os equipamentos e ambientes mais bem avaliados pelo mercado são aqueles que conseguem unir funcionalidade, frequência de uso e percepção de benefício para os moradores.
Entre os itens mais valorizados estão spas, saunas, piscinas aquecidas, áreas de recuperação física, academias completas, espaços para meditação, yoga e ambientes integrados à natureza. Além de contribuírem para a qualidade de vida, esses espaços fortalecem a sensação de conforto, exclusividade e praticidade.
Por outro lado, recursos extremamente especializados nem sempre apresentam retorno proporcional ao investimento realizado. Tecnologias associadas ao universo do biohacking e da alta performance esportiva, como câmaras de crioterapia e tanques de flutuação, costumam atender um público mais restrito e exigem custos elevados de implantação e manutenção.
Dependendo da tecnologia utilizada, os investimentos podem variar de dezenas a centenas de milhares de dólares. Câmaras de crioterapia, por exemplo, podem custar entre US$ 25 mil e US$ 80 mil. Já tanques de flutuação destinados ao uso comercial podem variar entre US$ 20 mil e US$ 60 mil, sem considerar gastos com adaptação dos espaços e operações.
Para o mercado, a principal questão é entender quais soluções efetivamente agregam valor ao imóvel e quais funcionam apenas como diferenciais de marketing.
Mudança de comportamento
A avaliação predominante entre especialistas é que o consumidor busca mais do que equipamentos sofisticados. O que pesa na decisão de compra é a possibilidade de incorporar hábitos saudáveis à rotina, sem a necessidade de deslocamentos frequentes para academias, clínicas ou centros de bem-estar.
Essa transformação está diretamente ligada a uma nova percepção sobre qualidade de vida. Se antes o luxo era associado principalmente à posse de bens materiais, hoje atributos como tempo, conveniência, saúde e longevidade passaram a ocupar posição de destaque nas decisões de consumo.
O resultado é uma aproximação cada vez maior entre os setores de saúde, hospitalidade e mercado imobiliário, criando empreendimentos que oferecem experiências antes encontradas apenas em resorts e hotéis de alto padrão.
Bem-estar como ativo imobiliário
A tendência já começa a influenciar novos projetos residenciais no país. Um dos exemplos é o Óra Spa, ambiente integrado ao conceito wellness da linha Árborea, da Benx. O espaço foi desenvolvido com curadoria da wellness designer Tania Ginjas e busca oferecer experiências voltadas ao relaxamento, recuperação física e bem-estar dos moradores.
Mais do que um diferencial de lazer, iniciativas desse tipo refletem uma mudança de paradigma no mercado imobiliário. A percepção de valor dos compradores passa a considerar não apenas aspectos físicos do imóvel, mas também a capacidade do empreendimento de contribuir para a saúde e a qualidade de vida.
Se a localização foi um dos principais motores da valorização imobiliária ao longo do século passado, especialistas apontam que bem-estar, saúde preventiva e longevidade podem se consolidar entre os atributos mais relevantes para o mercado nas próximas décadas.




