Região Metropolitana do Recife tem seis projetos de BRT, VLT e metrô previstos em estudo do BNDES Plano nacional de mobilidade urbana mapeou propostas para ampliar a rede de transporte coletivo de média e alta capacidade na RMR dos atuais 68 km para 150 km com apoio da iniciativa privada
Plano nacional de mobilidade urbana mapeou propostas para ampliar a rede de transporte coletivo de média e alta capacidade na RMR dos atuais 68 km para 150 km com apoio da iniciativa privada

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), concluído após dois anos de mapeamento pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades, aponta um futuro de transformação do transporte público coletivo para a Região Metropolitana do Recife. Isso se vingar, é claro. O plano prevê a viabilização de seis projetos de transporte público de média e alta capacidade, que ampliariam a rede dos atuais 68 km para 150 km, focando em eixos que atendam às projeções de demanda das próximas três décadas.
Com um aporte estimado de até R$ 15 bilhões, a capital pernambucana integra um grupo de metrópoles com projetos prioritários prontos para serem estruturados em parceria com a iniciativa privada – numa configuração de 80% dos investimentos sendo públicos e 20% sendo dos operadores privados.
Dos seis projetos definidos para o Grande Recife, cinco podem vir a ser corredores de BRT elétrico ou de VLTs. Destacam-se corredores de grande extensão, como o sistema entre Igarassu e Joana Bezerra (35,4 km) e a ligação entre o Terminal Integrado de Abreu e Lima e Cajueiro Seco (30,6 km). O estudo também contempla intervenções na Avenida Norte e nos eixos Boa Viagem-Olinda e Centro (Santo Antônio)-São Lourenço, oferecendo flexibilidade técnica entre as tecnologias de BRT elétrico ou VLT.
O sexto projeto é a requalificação das linhas atuais do Metrô do Recife e dos trens urbanos a diesel, processo já dentro da concessão privada do sistema, que já está em andamento.
BENEFÍCIOS ESTRUTURAIS DOS PROJETOS PARA PERNAMBUCO

Os benefícios diretos do plano nacional para o passageiro são a redução do tempo de deslocamento e o aumento do acesso a áreas periféricas, facilitando o acesso a oportunidades de emprego e serviços. Com os corredores de transporte de alta capacidade, essa é a expectativa.
O estudo aponta que se os projetos vingarem e houver a integração das redes planejadas, poderá haver um aumento de demanda entre 15% e 30%. Além da melhoria no conforto dos usuários, a troncalização das linhas e a eliminação de sobreposições de itinerários têm o potencial de reduzir os custos operacionais em até 20%.
O entendimento é que, com esses avanços, apoiados por sistemas de bilhetagem eletrônica modernos e interoperáveis (aceitando diversas formas de pagamentos, além do cartão de transporte), será possível garantir a sustentabilidade financeira e a transparência do sistema pernambucano no longo prazo.
PANORAMA DA MOBILIDADE NACIONAL

No contexto brasileiro, o Recife faz parte de um plano nacional que mapeou 187 projetos em 21 regiões metropolitanas, totalizando uma expansão de mais de 3 mil quilômetros de trilhos e corredores. O investimento total no país é estimado em cerca de R$ 430 bilhões, priorizando modais de baixa emissão de poluentes, como metrôs, trens e ônibus elétricos. O cronograma estabelecido prevê que os anos de 2026 e 2027 sejam dedicados exclusivamente à estruturação jurídica, técnica e financeira dessas propostas para atrair o interesse de investidores.
O modelo de viabilização financeira baseia-se em parcerias onde o setor público contribui com 80% do investimento e a iniciativa privada com os 20% restantes via PPPs. Nacionalmente, o ENMU estima que essas intervenções gerem 1,3 milhão de empregos por ano durante a implantação e evitem a emissão de 3 milhões de toneladas de gás carbônico anualmente. Com a execução dos projetos em um horizonte de 15 anos, o Brasil espera prevenir milhares de sinistros de trânsito e devolver tempo de vida aos cidadãos que dependem diariamente do transporte coletivo.

