Prefeitura de São Paulo rejeita novamente pedido da Uber para operar serviço de mototáxi

Pela segunda vez em 2026, administração municipal nega credenciamento da plataforma por ausência de documentos sobre seguro obrigatório para acidentes pessoais

A capital paulista é a única brasileira a estar, desde 2023, impedindo a operação do transporte por motocicletas via aplicativo – Uber e 99 Moto – WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Prefeitura de São Paulo e o Comitê Municipal de Uso do Viário rejeitaram, nesta quarta-feira (15/7), um novo pedido da Uber para operar o serviço de mototáxi na capital paulista. Agora, a decisão da administração municipal tem fundamentação na ausência de documentos que comprovem a contratação de seguro para acidentes pessoais (sinistros de trânsito), uma exigência prevista na regulamentação do serviço na capital paulista.

A capital paulista é a única brasileira a estar, desde 2023, impedindo a operação do transporte por motocicletas via aplicativo – Uber e 99 Moto. Este novo capítulo reforça a postura restritiva da gestão em relação ao serviço – principalmente pelo fato de que, no País, as vítimas das motos (condutores e também passageiros) já representam 70% das mortes e mutilações no trânsito. Mesmo assim, o serviço de motoapp explodiu em todo o País e opera sem qualquer tipo de regra na maioria das cidades brasileiras.

O indeferimento do pedido marca a segunda tentativa frustrada da Uber de legalizar o serviço este ano, que já havia recebido uma negativa semelhante no mês de abril, depois que a Prefeitura de São Paulo criou as regras para a operação dos motoapps, obrigada pelo Superior Tribunal Federal (STF). Na ocasião anterior, o pedido de credenciamento também foi barrado devido à falta de documentação necessária por parte da plataforma.

NOVELA JURÍDICA

ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O indeferimento do pedido marca a segunda tentativa frustrada da Uber de legalizar o serviço este ano, que já havia recebido uma negativa semelhante no mês de abril – ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em nota oficial, a Uber manifestou “estranheza” diante da nova rejeição e classificou a deliberação como uma “tentativa desesperada” da prefeitura para impedir o serviço na cidade. A empresa argumenta que a proibição municipal ignora uma decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que em janeiro suspendeu trechos de normas locais que restringiam o transporte privado por motocicletas.

Além disso, a Uber sustenta que a prefeitura está contrariando sentenças recentes do Tribunal de Justiça de São Paulo que apontaram a inconstitucionalidade do decreto suspensivo.

Por outro lado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem defendido publicamente a manutenção do decreto, alegando que o serviço de mototáxi representa um alto risco de segurança para a população. Nunes chegou a descrever a modalidade como uma “carnificina” em entrevistas passadas, justificando a necessidade de impedir a operação clandestina das plataformas. A prefeitura alega ainda que a lei federal que rege o transporte privado individual de passageiros aplica-se exclusivamente a automóveis, não abrangendo motocicletas.

IMPACTOS NO MERCADO

Enquanto a Uber insiste na batalha judicial, sua principal concorrente direta, a 99, optou por um caminho diferente após enfrentar barreiras similares. Em abril deste ano, a plataforma 99 anunciou a desistência de implementar o serviço de mototáxi em São Paulo – o 99 Moto -, decidindo focar seus investimentos apenas no segmento de entregas. A decisão da 99 foi tomada mesmo após a plataforma apresentar dados alegando que, em um curto período de operação, realizou 500 mil viagens sem registros de acidentes graves.

Atualmente, o serviço de transporte remunerado por motocicletas segue suspenso na capital paulista por força de uma decisão judicial de 16 de maio. A disputa transformou-se em uma “novela” jurídica sem previsão de encerramento, enquanto a constitucionalidade definitiva do decreto municipal nº 62.144/2023 é debatida nos tribunais. E, até que haja um consenso jurídico final, a cidade de São Paulo permanece como o principal campo de batalha sobre a regulação dos aplicativos de transporte com motos no Brasil.

Redação

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