Pernambuco deixa 4ª posição, mas segue entre os estados mais violentos do Brasil, aponta anuário Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostra que o Estado reduziu em 9,3% as mortes violentas intencionais em 2025, mas ainda ocupa a quinta colocação no ranking nacional, com índice acima da média do país
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostra que o Estado reduziu em 9,3% as mortes violentas intencionais em 2025, mas ainda ocupa a quinta colocação no ranking nacional, com índice acima da média do país

Informações do JC
Com redução no número de mortes violentas intencionais – seguindo uma tendência nacional -, Pernambuco caiu da quarta para a quinta posição no ranking dos estados mais violentos do Brasil em 2025. A taxa foi de 33 óbitos por 100 mil habitantes. No ano anterior, esse índice era de 36,4.
Os dados foram divulgados, nesta quinta-feira (23), pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, estudo produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública há duas décadas.
Em 2025, o Brasil somou 40.775 mortes violentas intencionais. Houve queda de 8,2% em comparação com o ano anterior, quando 44.220 vidas foram perdidas. A taxa foi de 19,1 óbitos por 100 mil habitantes.
Mesmo com a redução registrada no ano passado, Pernambuco permanece com uma taxa de mortes por 100 mil habitantes bem acima da média nacional. O Estado somou 3.159 assassinatos, contra 3.474 em 2024. A queda foi de 9,3%.
A gestão estadual atribui a redução no número de homicídios ao aumento de investimentos na segurança pública, com contratação de novos profissionais, entrega de equipamentos (como viaturas e armas de fogo) e estratégias de inteligência para barrar o avanço das organizações criminosas.
Na avaliação do pesquisador, consultor e especialista em Governança, Estratégias e Sistemas de Segurança Pública Armando Nascimento, a queda na posição de Pernambuco entre os mais violentos não altera o fato de que o estado permanece em patamar crítico, ao lado de Amapá, Bahia e Ceará, que lideram o ranking com taxas igualmente elevadas.
“Isso sugere que a política pública precisa ir além da queda percentual e atacar as condições que sustentam a violência persistente. Necessitamos de um estado de segurança, mas para isso é necessário reduzir a capacidade de reprodução da violência. Isso envolve inteligência integrada, investigação qualificada, padronização de procedimentos, gestão territorial, prevenção social e foco nos grupos e áreas mais vulneráveis, especialmente onde há maior incidência de homicídios e feminicídios”, disse.
Nas mortes violentas intencionais estão incluídos os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e os óbitos decorrentes de intervenções policiais.
O Amapá lidera entre os estados mais violentos do país. A taxa é de 42,5 óbitos por 100 mil habitantes. A guerra entre facções criminosas e o alto número de mortes decorrentes de ações policiais estão relacionados com esse resultado.
Em números absolutos, o Amapá somou 343 assassinatos no ano passado. Foram 20 registros a menos em comparação com 2024.
SETE ESTADOS COM ALTA NAS MORTES
O Anuário pontuou que sete estados brasileiros apresentaram aumento na taxa de mortes violentas intencionais em 2025: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
No caso de Rondônia e do Rio de Janeiro esse aumento foi reflexo, sobretudo, do maior número de óbitos decorrentes de intervenções policiais.
O estudo citou que, em 2024, Rondônia somou oito ocorrências de mortes por intervenção policial. Já em 2025, esse número saltou para 47. Esses registros representaram 9,5% de todos os óbitos registrados no estado no ano passado.
No caso do Rio de Janeiro, 20,5% de todas as mortes violentas intencionais registradas em 2025 foram em ações policiais. Em outubro de 2025, na Operação Contenção, deflagrada pela polícia para combater o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, 122 pessoas foram mortas – sendo cinco agentes de segurança.

