Raquel Lyra diz que remuneração como procuradora do Estado está dentro da lei e rebate críticas

Em entrevista à TV Globo, governadora também respondeu a questionamentos sobre empresa da família, transporte público, creches, violência contra a mulher, impostos e educação

Raquel Lyra (PSD) no debate da Rádio Cidade com os candidatos ao Governo de Pernambuco – Beto Figueiroa/Divulgação

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), defendeu, nesta terça-feira (15), durante entrevista à TV Globo, a decisão de receber R$ 60.931,00 (valor sem descontos) como procuradora do Estado, em vez do subsídio de R$ 22 mil pago ao cargo de governadora.

A remuneração foi alvo de críticas do candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), que acusa a governadora de receber um valor acima do teto constitucional.

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), defendeu, nesta terça-feira (15), durante entrevista à TV Globo, a decisão de receber R$ 60.931,00 (valor sem descontos) como procuradora do Estado, em vez do subsídio de R$ 22 mil pago ao cargo de governadora.

A remuneração foi alvo de críticas do candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), que acusa a governadora de receber um valor acima do teto constitucional.

Questionada sobre a legislação estadual que permitiu a opção, aprovada em 2023 durante a sua própria gestão, Raquel afirmou que o pagamento está de acordo com as regras legais e negou que a norma tenha sido criada especificamente para beneficiá-la.

Segundo a governadora, a legislação permite que servidores públicos que assumam cargos eletivos optem pela remuneração do cargo de origem, respeitando os parâmetros constitucionais e legais. Ela afirmou ainda que não acumula os salários de procuradora e governadora e que as informações estão disponíveis no Portal da Transparência. “Eu sempre fiz tudo de acordo com a lei”, afirmou Raquel.

A candidata também citou a própria trajetória no serviço público para responder às críticas dos adversários. Ela afirmou que ingressou na Procuradoria do Estado após concurso público, em 2005, e que permanece vinculada à instituição há 21 anos. Raquel classificou como tentativa de seus adversários de transformar o tema no principal assunto da eleição.

Logo Caruaruense

Outro momento da entrevista foi dedicado à Logo Caruaruense, empresa de transporte pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai da governadora. A empresa anunciou o encerramento das atividades no sistema de transporte intermunicipal após a divulgação de irregularidades relacionadas à fiscalização dos veículos.

Questionada sobre a ausência de vistorias da frota durante os primeiros anos de seu governo e sobre um eventual favorecimento à empresa da família, Raquel negou irregularidades e afirmou que a própria interrupção das atividades da companhia seria incompatível com a tese de favorecimento. “É muito difícil entender como se favorece uma empresa que encerrou suas atividades”, declarou.

A governadora afirmou que a Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) atua regularmente na fiscalização e explicou que a concessão do transporte intermunicipal foi iniciada em 2013 e 2014, mas passou por disputas no Tribunal de Contas e na Justiça. Segundo ela, o processo só foi encerrado definitivamente em dezembro de 2025.

Raquel também foi questionada sobre os mais de R$ 100 mil pagos pelo governo à Logo entre 2023 e 2025, sem licitação no período, conforme dados do Portal da Transparência. Ela afirmou que os valores não correspondem a subsídio à empresa, mas a ressarcimentos pelo transporte de servidores públicos estaduais que utilizaram o serviço.

As irregularidades na empresa, contudo, haviam sido apontadas em documentos da própria EPTI. Relatório técnico indicou que os veículos não passavam por inspeção anual desde 2022 e que a idade média da frota estava acima do limite previsto na legislação. A fiscalização do transporte intermunicipal é atribuição do governo estadual.

Creches e educação

Na área de educação, Raquel foi cobrada sobre a promessa feita na campanha de 2022 de construir 250 creches e criar 60 mil vagas. Até este momento, 14 unidades foram sido inauguradas, com cerca de 4.200 vagas.

A governadora reconheceu que a meta não foi cumprida no primeiro mandato, mas afirmou que o cronograma será acelerado. Segundo ela, 100 creches serão entregues até o fim deste ano e as 250 unidades até o primeiro semestre de 2027.

Raquel atribuiu o atraso à complexidade do projeto, que envolve escolha de terrenos, elaboração de projetos, licitações e execução das obras. Segundo ela, cada unidade custa entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões.

Na entrevista, a governadora também destacou ações de alfabetização e afirmou que Pernambuco passou de duas para seis crianças, a cada dez, alfabetizadas na idade certa. Ao falar sobre o desempenho do Estado, porém, citou municípios que não teriam atingido a meta, entre eles o Recife, administrado pelo adversário João Campos (PSB) até abril deste ano.

Questionada ainda sobre dados que apontariam queda no número de estudantes do ensino médio matriculados em cursos técnicos e profissionalizantes, Raquel afirmou que poderia haver “algum erro” no levantamento e disse que encaminharia esclarecimentos posteriormente.

Ela citou o programa Trilha Tech e afirmou que o governo abriu 40 mil vagas em parceria com instituições como Senai, Sebrae, Senac e Porto Digital.

Segurança e violência contra a mulher

Na segurança pública, Raquel defendeu os resultados do Juntos pela Segurança, programa lançado no início da gestão, e afirmou que o Estado investiu mais de R$ 2 bilhões na área e contratou cerca de 8 mil agentes.

A governadora destacou a redução de 40% nos crimes de roubo e de 20% nos homicídios e afirmou que o Estado estaria vivendo “o melhor ano da história em segurança pública”.

Ao ser confrontada com o aumento dos registros de violência doméstica em 2025, apontado como o maior desde 2012 segundo dados da Secretaria de Defesa Social, Raquel destacou medidas específicas de enfrentamento à violência contra a mulher.

Ela afirmou que as delegacias da mulher da Região Metropolitana, além das unidades de Caruaru e Petrolina, passaram a funcionar 24 horas. Também citou a abertura de 39 Salas de Acolhimento, a ampliação dos centros de referência para mulheres vítimas de violência e o reforço da Patrulha Maria da Penha.

A candidata foi questionada, porém, sobre a promessa de ampliar o número de delegacias especializadas, já que Pernambuco continua com 15 unidades. Raquel admitiu que não abriu novas delegacias, mas afirmou que ampliou o horário de funcionamento das existentes e prometeu colocar todas as delegacias da mulher em funcionamento 24 horas.

Segundo ela, as próximas unidades a receber a ampliação serão as de Arcoverde e Garanhuns.

ICMS e promessa de redução de impostos

Raquel também foi questionada sobre a promessa de reduzir a carga tributária feita na campanha anterior e sobre o aumento da alíquota modal do ICMS de 18% para 20,5% no primeiro ano de seu governo.

A governadora justificou a elevação como uma estratégia relacionada à reforma tributária e afirmou que a medida buscou preservar a arrecadação futura de Pernambuco.

Em contrapartida, destacou a redução do IPVA, que, segundo ela, passou de uma das maiores alíquotas do Nordeste para a menor entre os estados da região.

Raquel citou ainda medidas de desburocratização, o programa Dívida Zero e a abertura de empresas como resultados de sua política econômica.

Segundo ela, Pernambuco registrou mais de 200 mil empregos com carteira assinada durante sua gestão e recebeu anúncios de cerca de R$ 40 bilhões em investimentos privados.

A entrevista também abordou mudanças climáticas. Raquel afirmou que pretende ampliar ações de prevenção a enchentes e citou obras de barragens na Mata Sul e na Região Metropolitana como parte da estratégia de adaptação do Estado aos eventos extremos.

Redação

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