Debate na TV Guararapes coloca gestão de João Campos no Recife no centro dos ataques de Raquel Lyra Candidatos trocaram críticas sobre obras da orla de Boa Viagem, bets, educação, alagamentos, encostas e atuação da Guarda Municipal durante confronto desta segunda-feira (21)
Candidatos trocaram críticas sobre obras da orla de Boa Viagem, bets, educação, alagamentos, encostas e atuação da Guarda Municipal durante confronto desta segunda-feira (21)

Informações do JC
A gestão de João Campos (PSB) à frente da Prefeitura do Recife esteve no centro de diferentes momentos do debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco realizado pela TV Guararapes nesta segunda-feira (21). A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), levou para a discussão temas como a obra da orla de Boa Viagem, os aditivos da intervenção, a relação de casas de apostas com sua gestão e a Guarda Municipal.
O Recife também apareceu nas discussões sobre alagamentos e obras em áreas de morro. João rebateu os questionamentos, defendeu ações realizadas durante sua passagem pela Prefeitura do Recife e também devolveu as críticas à gestão estadual, principalmente ao tratar de encostas e segurança.
Orla de Boa Viagem
A obra da orla de Boa Viagem foi um dos principais pontos de confronto. Ao questionar João sobre turismo no Recife, Raquel citou o que chamou de abandono do Centro e criticou a demora na conclusão da intervenção.
“O Recife tem problemas reais, né? E eu queria perguntar para o senhor qual a sua proposta para o turismo do Recife, considerando o abandono do centro da cidade, a obra da orla que não termina. Qual proposta e o povo vai acreditar que o senhor vai fazer para melhorar o turismo em Pernambuco e no Recife?”
João afirmou que a obra inclui intervenções de saneamento e disse que sua gestão elaborou um plano de requalificação do Centro, com previsão de mais de 5 mil moradias. Também afirmou que a obra da orla será concluída até o fim do ano e negou que o custo tenha dobrado.
“No final desse ano será concluída, o prefeito Victor [Marques] já anunciou sobre isso. A informação de que tem o dobro do valor, isso é mentira. São várias obras diferentes que foram contratadas desde o projeto original. Nós vamos fazer a escola técnica do turismo e outras 57 no estado.”
Raquel voltou ao tema em outro bloco e relacionou o aumento do custo aos aditivos. Segundo ela, a obra teria saído de uma previsão inicial de R$ 100 milhões para R$ 207 milhões.
“O senhor começou o projeto da orla de reforma do calçadão de Boa Viagem há algum tempo e essa obra já está custando o dobro. É com essa forma de colocar aditivos que o senhor pretende governar Pernambuco?”
João respondeu que os aditivos são previstos em lei e voltou a questionar o aumento do salário de Raquel. A governadora, então, retomou a crítica à obra.
“Eu quero falar com você sobre o que é aditivo e o que é a regra da Prefeitura do Recife fazendo aditivo sobre a gestão do candidato adversário. Uma obra com custo inicial de R$ 100 milhões, que era o previsto para o calçadão de Boa Viagem, já está em R$ 207 milhões e não é entregue.”
João afirmou que Raquel estaria considerando contratos diferentes como se fossem uma única obra.
“Você está falando de mais de um contrato. Existe um contrato, existem outros contratos da orla para banheiro, para quiosque, para centralidades. Então, o debate que você está fazendo é um debate errado.”
Bets
As casas de apostas geraram mais um confronto, quando Raquel afirmou que João reduziu em 60% o tributo cobrado das bets durante sua gestão no Recife e questionou se ele se arrependia da decisão.
“As bets são um problema social e econômico no Brasil e em Pernambuco não é diferente. Enquanto prefeito, o senhor baixou o tributo em 60% para bets para transformar o Recife na capital da casa de apostas do Brasil. As pessoas estão adoecendo, famílias estão se endividando.”
João reafirmou ser pessoalmente contrário às casas de apostas, mas afirmou que a atividade foi regulamentada no país e que a mudança permitiu ampliar a arrecadação municipal.
“Eu tenho uma posição pessoal contra a bet, contra a casa de apostas, contra qualquer tipo de jogo de azar. O presidente Lula regulamentou essa atividade no Brasil para que fosse cobrado imposto. Recife arrecadava R$ 80 mil em seis anos e passou a arrecadar R$ 80 milhões por ano.”
Raquel voltou a relacionar as bets ao endividamento, à saúde pública e ao combate ao crime organizado.
“Governar é fazer escolhas. Eu nunca escolhi incentivar a casa de aposta, até porque isso não é só um problema de saúde pública. É um problema de combate ao crime organizado. Eu fui delegada da Polícia Federal e sei que grande parte dessas bets, não todas, também são forma de lavagem de dinheiro para o crime organizado.”
João citou medidas adotadas no Recife para restringir a presença das bets em espaços públicos e mencionou o Serviço Integrado de Saúde Mental (SIM), criado durante sua gestão para atender, entre outros casos, pessoas com ludopatia.
Educação
A governadora criticou a situação financeira deixada pelo ex-prefeito e afirmou que a educação teria sido uma das áreas afetadas. A governadora também citou um reajuste de R$ 1 para professores, relacionando a medida à greve da categoria.
“Candidato, o senhor deixou a Prefeitura do Recife com dificuldade financeira e uma das áreas que mais sofreram foi a própria educação. O senhor ofereceu um reajuste de R$ 1 para professor. Isso fez o professor do Recife entrar em greve.”
João respondeu afirmando que Raquel teria confundido o valor do reajuste com outra informação relacionada à sua declaração à Justiça Eleitoral.
“Candidata, eu acho que você está confundindo as coisas. R$ 1 foi o que foi declarado na sua conta corrente para a Justiça Eleitoral. Essa é a verdade. A gente nomeou mais de 2.500 professores na rede. Fizemos reajuste ano a ano, acumulados com valores sempre superiores a esses percentuais, inclusive citados, porque a gente faz de verdade, diferente do seu governo, que demitiu 1.500 professores na véspera do Enem acontecer. A gente triplicou as vagas de creche, conseguimos construir um embarque digital com mais de 2.700 jovens com formação em tecnologia.”
Na sequência, Raquel retomou a discussão sobre o reajuste dos professores e as manifestações de servidores durante a gestão de João Campos na Prefeitura do Recife.
“Ele não desmentiu a história de que é R$ 1 que ele ofereceu de reajuste no ticket para professor e professor entrou em greve. Na verdade, era de maneira sistemática servidores públicos da prefeitura fazendo protestos na frente da prefeitura.”
Enchentes
Os alagamentos do Recife, cidade que João foi prefeito, também apareceram em uma pergunta de Raquel a Ivan Moraes (PSOL). A governadora questionou a atuação das prefeituras administradas pelo PSB diante dos problemas provocados pelas chuvas.
“Basta ter a maré alta que Recife alaga. Com chuvas, as pessoas perdem tudo, perdem documentos, perdem tudo que tiveram, perdem suas vidas. Isso é fruto de falta de planejamento e decisão política. O senhor entende que as prefeituras do PSB deixaram de investir nesse tema?”
Ivan relacionou os alagamentos às mudanças climáticas e defendeu políticas ambientais. Raquel, na sequência, citou ações de drenagem e dragagem realizadas pelo governo estadual.
“Desde que foi dada a situação de emergência em maio deste ano, colocamos máquinas para limpar o Rio Morno e os rios do Recife. Estamos fazendo a dragagem do Rio Beberibe. Há décadas isso é prometido e nunca foi feito.”
Segundo Raquel, a intervenção no Beberibe terá cinco quilômetros e envolverá retirada de palafitas e construção de moradias.
Morros e encostas
As obras em áreas de morro foram usadas por João para comparar as atuações da Prefeitura do Recife e do governo estadual. O candidato afirmou ter realizado mais de 6 mil intervenções em áreas de morro durante sua gestão, sendo mais de 150 de grande porte.
“Enquanto prefeito, realizamos mais de 6.000 obras em área de morro. Dessas, mais de 150 obras de grande porte, protegendo mais de 80.000 pessoas na cidade do Recife. Com quatro anos à frente do governo, eu gostaria de saber quantas obras de encosta o seu governo fez na Região Metropolitana.”
Raquel respondeu citando investimento estadual de R$ 500 milhões em três anos e meio e mencionou as intervenções em áreas de risco, como Jardim Monte Verde.
“Garantimos agora investimento da ordem de R$ 500 milhões em três anos e meio de governo. Os governos anteriores, nos oito anos, gastaram R$ 1 milhão com encosta. A gente não ficou olhando para trás, foi trabalhar.”
João rebateu dizendo que o governo estadual teria realizado três obras de encosta na Região Metropolitana, enquanto a Prefeitura do Recife teria feito 150.
“Você fez três obras de encosta na Região Metropolitana. Como prefeito, com seis vezes menos orçamento, fizemos 150 e outras 6.000 do programa Parceria. E eu fiz um compromisso com você: vocês terão um governador que vai fazer 10.000 obras na área de morro da Região Metropolitana.”
Na tréplica, Raquel afirmou ter investido R$ 90 milhões em Jardim Monte Verde e anunciou a previsão de R$ 2 bilhões para obras em morros e encostas no Recife em um eventual segundo mandato.
“O nosso compromisso é no próximo governo garantir R$ 2 bilhões em investimento em morros e encostas no Recife. Nós estamos fazendo a dragagem do Beberibe, estamos construindo casas, já entregamos 26 mil delas, inclusive obras que estavam paralisadas no passado.”
Guarda Municipal
A Guarda Municipal do Recife entrou no debate durante a discussão sobre segurança pública e atendimento às mulheres. Ao responder a João sobre o número de delegacias da mulher construídas em sua gestão, Raquel citou a atuação do então prefeito na segurança municipal.
“Ele foi prefeito do Recife e a Guarda Municipal diminuiu em mais de 300 homens. Prometeu um concurso que nunca saiu. Agora, às pressas, ele publicou uma portaria de um edital que nunca saiu. Como o povo acredita em você se nem o Recife você cuidou?”
João não respondeu diretamente sobre a Guarda e voltou a cobrar de Raquel o número de delegacias da mulher inauguradas durante o governo estadual. Na tréplica, a governadora retomou a crítica ao efetivo da Guarda Municipal.
“Nas oportunidades que o candidato adversário teve de governar, como prefeito do Recife, ele diminuiu o tamanho da Guarda Municipal, sequer concurso fez. A gente tinha uma delegacia funcionando 24 horas da mulher. Estamos com nove delegacias funcionando e meu compromisso é que todas elas funcionem.”