Entidades empresariais entregam manifesto ao Senado Federal do Brasil e pedem que fim da escala 6×1 fique fora da pauta de 2026

Coalizão de 93 organizações solicita ao presidente Davi Alcolumbre que debate sobre jornada de trabalho ocorra apenas em 2027, com base em critérios técnicos e análise de impacto econômico

Sob a proposta do CLP, os segmentos com mais de 80% da folha em regime de 44 horas semanais seriam afetados apenas na última fase de implementação – PAULO PINTO/ AGÊNCIA BRASIL

As principais entidades empresariais do Brasil uniram forças para tentar frear a tramitação do projeto que propõe o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Em reuniões com parlamentares e lideranças do Congresso Nacional nesta semana, representantes da indústria, comércio, agronegócio e transportes defenderam abertamente que a votação do tema seja adiada para 2027.

O principal receio do setor produtivo é o calendário. Por estarmos em um ano eleitoral, os empresários temem que os parlamentares sejam pressionados pela opinião pública a aprovar a medida “no calor dos ânimos”, sem avaliar os profundos impactos econômicos da redução da jornada.

O Medo do Efeito Eleitoral

A coalizão, que reúne 93 entidades, entregou um manifesto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pedindo uma discussão estritamente técnica. Para os empresários, a pauta corre o risco de virar uma guerra de narrativas políticas.

“Não queremos transferir o ônus da decisão para os parlamentares. Entendemos a delicadeza de ser ano eleitoral, mas queremos construir caminhos para que a discussão não ocorra à luz das eleições”, argumentou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), foi ainda mais direto sobre a estratégia do grupo nos corredores de Brasília: “Se entrar em votação, não tem como segurar. Agora é trabalho de bastidor para que isso não entre em pauta”.

Manifesto se baseia em 4 pilares

O documento entregue pelas entidades, intitulado “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”, argumenta que a redução da carga horária sem o correspondente aumento de produtividade pode gerar inflação, repasse de custos ao consumidor final e fechamento de postos de trabalho formais.

Para embasar a prorrogação do debate, as confederações baseiam sua defesa em quatro princípios fundamentais:

  • Preservação do Emprego: Evitar mudanças estruturais que incentivem o aumento da informalidade, que hoje já atinge cerca de 40% da população economicamente ativa no País.
  • Foco na Produtividade: A redução da jornada só é viável e sustentável se houver qualificação e difusão tecnológica para que o Brasil consiga produzir mais no mesmo período de tempo.
  • Negociação Coletiva: Manutenção da atual regra, permitindo que cada setor produtivo ajuste suas próprias escalas (como operações contínuas, picos sazonais e serviços essenciais) por meio de acordos coletivos, respeitando as diferentes realidades de cada atividade.
  • Debate Técnico: Retirar a discussão do ambiente de disputas eleitorais de 2026, pautando qualquer mudança em dados técnicos, análise rigorosa de impacto econômico e diálogo social entre trabalhadores, empregadores e poder público.

As confederações destacam ainda que setores como o varejo supermercadista e o transporte de cargas já sofrem com a escassez de mão de obra (com mais de 350 mil vagas abertas não preenchidas no varejo, por exemplo), cenário que poderia ser agravado com uma mudança abrupta na lei.

Redação

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