SUS realiza maior mutirão da história com foco na saúde da mulher

Ação nacional neste fim de semana amplia consultas, exames e cirurgias e busca reduzir filas históricas no atendimento especializado

Destinada a pacientes previamente agendadas, iniciativa envolve hospitais públicos, filantrópicos e privados, que ofertarão cirurgias e exames de média e alta complexidade – RAFAEL NASCIMENTO/MS

Em mais uma mobilização para enfrentar as filas do Sistema Único de Saúde (SUS), o governo federal aposta agora em um mutirão nacional voltado exclusivamente à saúde da mulher. A ação, marcada para este fim de semana (21 e 22 de março), mobiliza hospitais públicos, privados e filantrópicos em todo o País para atender pacientes previamente agendadas.

A iniciativa chama atenção pelo foco: consultas, exames e cirurgias direcionados ao público feminino, um recorte que dialoga com gargalos históricos no acesso a diagnósticos e tratamentos, especialmente em áreas como ginecologia e saúde reprodutiva.

Entre os serviços previstos, estão desde exames de imagem (como tomografias e ressonâncias) até cirurgias, incluindo histerectomia, laqueadura e reconstrução mamária. 

Em Pernambuco, a programação começa no sábado (21), às 8h30, com a presença do diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, em visita ao Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na unidade, a previsão é atender mais de 260 pacientes com cirurgias e exames. 

Para ser atendido, é necessário já estar com o procedimento agendado no SUS. No HC-UFPE, estão previstas cirurgias plásticas, histeroscopias cirúrgicas, cirurgias ortopédicas; além de exames de cistoscopia, ultrassom (geral, de mama, obstétrica e de endometriose), densitometria, cintilografia óssea em mulheres, cintilografia renal dinâmica, ressonância magnética, tomografias, histeroscopias diagnósticas e biópsias.

Em seguida, às 10h30, Fernando Figueira estará no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), onde fará uma conferência remota, ao vivo, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como integração das ações que ocorrem em todo o Brasil. 

Um dos destaques do mutirão é a oferta de cerca de 3,8 mil implantes contraceptivos subdérmicos (Implanon, que chega a custar cerca de R$ 4 mil na rede privada), método de longa duração que passou a ser disponibilizado pelo SUS recentemente. Embora ainda limitado em escala diante da demanda nacional, o acesso gratuito a esse tipo de tecnologia sinaliza uma ampliação, ainda que gradual, das opções de planejamento reprodutivo na rede pública.

Na prática, o mutirão também funciona como vitrine de um modelo que o governo tem tentado consolidar: concentrar atendimentos em ações pontuais para reduzir filas reprimidas. Segundo o Ministério da Saúde, edições anteriores da iniciativa, dentro do programa Agora Tem Especialistas, já somaram mais de 127 mil procedimentos.

Estão agendadas cirurgias ginecológicas, como histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumor no útero e laqueadura – GRAX MEDINA/MS

Mas há um ponto que merece atenção: o alcance dessas ações continua condicionado à capacidade de organização local. O atendimento é restrito a pacientes já reguladas pelos sistemas municipais e estaduais, o que, na prática, mantém de fora quem ainda sequer conseguiu entrar na fila.

Por outro lado, medidas como a oferta de transporte (com vouchers para deslocamento em 40 cidades) e a previsão de apoio logístico para mulheres indígenas indicam um esforço de reduzir barreiras de acesso, um dos principais entraves históricos do SUS.

Mutirões são importantes para ajudar a aliviar a pressão imediata, mas não substituem a necessidade de ampliação estrutural da oferta de especialistas, exames e cirurgias na rede pública.

Ainda assim, ao colocar a saúde da mulher no centro da ação, o governo acerta no diagnóstico de uma demanda que, há anos, acumula-se e cobra resposta.

Santas Casas, hospitais federais e universitários

Para garantir essa ação, o Ministério da Saúde mobilizou instituições reconhecidas pelo atendimento especializado de qualidade. É o caso de Santas Casas e outras instituições filantrópicas em vários Estados brasileiros; dos seis hospitais federais e dos institutos nacionais de Cardiologia (INC), de Traumatologia e Ortopedia (Into) e de Câncer (Inca) que ficam no Rio de Janeiro (RJ); e dos 45 hospitais universitários federais da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), localizados em 25 Estados.

O público-alvo do mutirão da mulher do Agora Tem Especialistas são as crianças, as adolescentes, as jovens, as adultas e as idosas previamente agendadas pelos gestores de saúde dos municípios, de acordo com os critérios de suas centrais de regulação. 

Nos dois dias de atendimento, serão ofertados, exames essenciais para o diagnóstico precoce de doenças. Também serão oferecidos procedimentos como tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias, necessários para a definição de condutas médicas.

Além disso, estão agendadas cirurgias ginecológicas, como histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumor no útero e laqueadura; e gerais, como cirurgias de catarata, tratamento cirúrgico de varizes e retirada de hérnia, de vesícula e de tumores na pele.

Neste Mês da Mulher, esse será o quarto mutirão do SUS realizado no âmbito do programa Agora Tem Especialistas. Nas três primeiras edições, em 2025, brasileiros e brasileiras de todo o País, inclusive de territórios indígenas, foram submetidos a mais de 127 mil procedimentos, a fim de levar mais atendimento para a população e reduzir o tempo de espera.

Redação

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