O Brasileiro Não Combate a Corrupção… Mas Sim o Que Ela Representa
Por Arnóbio Manso Paganotto – Autor do livro Manual do Candidato Vencedor
Buscarei ser claro e direto, utilizando uma linguagem acessível.
O Brasil atravessa um período crítico em sua política: os eleitores deixaram de escolher candidatos com foco no futuro do país, priorizando apenas a derrota do “adversário”.
Essa mudança impactou radicalmente o modo como muitos votam.
Atualmente, uma parte significativa da população aceita qualquer tipo de comportamento de um político, desde que ele se posicione contra o grupo que desprezam. Quando surgem denúncias, escândalos ou contradições, há sempre uma justificativa à mão:
“Mas o outro é pior.”
Isso pode ser um dos principais desafios enfrentados pelo Brasil hoje.
A política se transformou em uma torcida organizada.
Os cidadãos passaram a defender seus políticos como torcedores defendem seus times. Independentemente dos erros ou incoerências, o que importa é resguardar “o seu lado” e atacar o opositor.
Nesse contexto, as questões do país ficam em segundo plano.
Poucos realmente pesquisam antes de votar. E fazer pesquisa não é apenas ver vídeos no TikTok ou repetir informações de grupos de WhatsApp. Refere-se a investigar histórico, alianças, investigações, comportamentos e posicionamentos anteriores, além das relações que aquele político mantém.
Pois o caráter também se reflete nas companhias.
É fundamental compreender que a política não deveria ser movida pela paixão. Ela precisa ser pautada na responsabilidade.
Quando um eleitor minimiza a corrupção porque o político compartilha suas ideias, a mensagem é perigosa: “se for do meu lado, tudo bem.”
Consequentemente, isso resulta em um rebaixamento contínuo da qualidade política.
Outro aspecto relevante é a mentalidade do “menos pior”. O brasileiro se habituou tanto a isso que muitos votam sem otimismo, apenas por receio do concorrente vencer. Eles não escolhem alguém que consideram qualificado; optam por quem “impede o outro”.
Esse raciocínio aprisiona o país em um ciclo vicioso.
- Os mesmos grupos.
- As mesmas disputas.
- As mesmas promessas.
- E frequentemente os mesmos problemas.
Talvez falte ao eleitor brasileiro algo fundamental: curiosidade para explorar novas perspectivas.
Conhecer novas propostas não significa concordar automaticamente com elas; trata-se de expandir a mente antes de tomar decisões. Em uma democracia saudável, nenhuma liderança deve ser vista como detentora absoluta da verdade.
O eleitor deve voltar a questionar.
- Quem é essa pessoa?
- Com quem ela está associada?
- Quais são suas ações passadas?
- Como leva sua vida?
- Quais são suas convicções?
- Há coerência entre discurso e prática?
Essas questões são mais relevantes do que slogans políticos superficiais.
No final das contas, o Brasil só avançará quando os eleitores deixarem de agir como torcedores e começarem a se comportar como fiscais. p >
blockquote >Porque políticos mudam seu discurso rapidamente. p >
Mas uma população que aprende a pensar criticamente transforma toda uma nação. strong > p >
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