MASP e Instituto Ricardo Brennand promovem exposição inédita de Degas e Sofia Borges no Recife Mostra reúne 40 esculturas de Edgar Degas, incluindo a célebre Bailarina de catorze anos, e fotografias produzidas por Sofia Borges a partir das obras do artista francês
Mostra reúne 40 esculturas de Edgar Degas, incluindo a célebre Bailarina de catorze anos, e fotografias produzidas por Sofia Borges a partir das obras do artista francês
Do coração da Avenida Paulista para o Recife. Pela primeira vez, um conjunto de obras originais de Edgar Degas (1834-1917) será apresentado ao público pernambucano em uma parceria inédita entre o MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e o Instituto Ricardo Brennand. A partir de 25 de setembro, a Pinacoteca do Instituto recebe Degas/Borges, exposição que reúne obras do artista francês pertencentes ao acervo do MASP e propõe um novo encontro entre a produção de um dos grandes nomes da arte moderna e o olhar contemporâneo da fotógrafa e artista-curadora Sofia Borges.
Realizada pelo Instituto Ricardo Brennand e pelo MASP, a mostra é apresentada pelo Bradesco, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio de Bradesco e Cimento Nacional. A curadoria é do MASP, assinada por Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, e a apresentação local é de Beth da Matta, artista visual, curadora e gestora cultural com trajetória dedicada às artes visuais e ao fortalecimento da produção contemporânea no Nordeste.
Mais do que uma exposição de Degas, a proposta coloca em cena um encontro entre dança, corpo, escultura, fotografia e arquitetura. É uma espécie de collab entre dois museus e diferentes tempos da história da arte, aproximando o público recifense de uma coleção que está entre as mais importantes do artista no mundo.
O conjunto reúne 40 esculturas em bronze de Edgar Degas, um dos grandes nomes da arte francesa do século XIX e figura central do Impressionismo. Conhecido sobretudo por suas representações de bailarinas, o artista dedicou parte importante de sua obra à investigação do corpo e do movimento. Sua produção teve papel fundamental na renovação da pintura e da escultura e influenciou a arte moderna.
As obras foram adquiridas pelo MASP na década de 1950 por Pietro Maria Bardi, diretor fundador da instituição. Segundo Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, apenas três museus no mundo possuem uma coleção de esculturas de Degas dessa dimensão: o Glyptotek, de Copenhague, o Metropolitan Museum of Art, de Nova York, e o Musée d’Orsay, de Paris.
A exposição reúne obras que representam diferentes aspectos da produção de Degas, como Bailarina fazendo a reverência, Bailarina que calça a sapatilha direita, Bailarina ajeitando a cordinha da malha e A tina. Entre os destaques está uma das obras mais conhecidas do artista e um marco da história da escultura: a célebre Bailarina de catorze anos, criada em 1880 e que retrata Marie van Goethem, uma adolescente que estudava balé na Opéra de Paris.
A história por trás da escultura também ajuda a revelar a complexidade da obra. Filha de uma lavadeira e de um alfaiate em dificuldades financeiras, Marie ingressou no balé da Opéra aos 13 anos. Sua trajetória foi atravessada pelas condições sociais de sua família e terminou com seu afastamento da instituição. Ao recuperar esse contexto, a exposição amplia a compreensão sobre uma imagem que, durante décadas, foi observada sobretudo pela delicadeza e pela beleza da figura representada.
É justamente nessa possibilidade de ampliar o olhar que entra Sofia Borges. Artista visual e curadora, formada em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo, ela desenvolve uma pesquisa voltada à própria natureza da imagem e às diferentes formas de representação. Seu trabalho já passou por importantes instituições e exposições, incluindo a 30ª e a 33ª Bienais de São Paulo, nesta última como artista-curadora convidada, em 2018, e a mostra Being: The New Photography Exhibition, realizada pelo MoMA, em Nova York.
Para Degas/Borges, Sofia fotografou durante um ano as esculturas de Degas pertencentes ao MASP, explorando detalhes, volumes, músculos, olhos, gestos e fragmentos que muitas vezes passam despercebidos diante da obra original. Suas fotografias, produzidas especialmente para a exposição, não funcionam como simples registros. Elas reinterpretam e transformam os trabalhos de Degas, criando novas possibilidades de percepção e revelando aspectos que permaneciam ocultos.
A presença de Borges estabelece, assim, um diálogo que atravessa mais de um século. De um lado, Degas, que dedicou parte significativa de sua produção à observação do corpo e do movimento. Do outro, uma artista contemporânea que retorna às mesmas esculturas com um olhar investigativo, aproximando, ampliando e fragmentando suas formas para descobrir novas imagens dentro de obras já consagradas.
A experiência será ampliada pela própria expografia. As fotografias de Sofia Borges estarão instaladas em grandes dimensões nos cavaletes de cristal concebidos por Lina Bo Bardi, arquiteta ítalo-brasileira que se tornou um dos grandes nomes da arquitetura moderna no Brasil e responsável pelo projeto da sede do MASP na Avenida Paulista. Além dos cavaletes, painéis também estabelecem uma relação direta entre as fotografias e as esculturas de Degas.
Criados por Lina para o MASP, cuja sede foi inaugurada em 1968, os cavaletes de cristal se tornaram um dos símbolos mais reconhecidos do museu e uma referência internacional em expografia. Com placas transparentes de vidro apoiadas sobre bases de concreto, os suportes retiram as obras das paredes e permitem que sejam observadas por diferentes ângulos.
É nesse encontro entre instituições, cidades e diferentes momentos da história da arte que a mostra constrói uma ponte entre São Paulo e Pernambuco. Do MASP ao Instituto Ricardo Brennand, os cavaletes concebidos por Lina Bo Bardi ganham uma nova paisagem, enquanto as fotografias de Sofia Borges lançam novas perspectivas sobre as esculturas de Degas. O resultado é um convite para o público não apenas observar o artista, mas revê-lo sob novas perspectivas.
De acordo com Nara Galvão, diretora do Instituto RB, a exposição representa um marco para o Instituto. “É um encontro inédito entre duas instituições de referência no Brasil e reafirma a importância de construirmos pontes e ampliarmos a circulação de acervos fundamentais para a história da arte pelo país. Degas/Borges nos convida a olhar, olhar novamente e perceber que toda obra pode produzir novos sentidos quando colocada em relação com outros tempos, outros corpos e outros olhares”, aponta.
Degas/Borges estará em cartaz no Instituto Ricardo Brennand, na Pinacoteca, de 25 de setembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027. A visitação acontece de terça a quarta-feira, das 13h às 17h, e de quinta-feira a domingo, das 10h às 17h. Ingressos a partir de R$ 30 (meia-entrada), disponíveis diretamente na bilheteria do Instituto RB ou antecipadamente pelo link https://shre.ink/GgqD.
SERVIÇO:
Degas/Borges no Instituto Ricardo Brennand
Período: 25 de setembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027
Local: Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand, Recife (PE)
Visitação: terça e quarta, das 13h às 17h; quinta a domingo, das 10h às 17h
Ingressos: a partir de R$30 (meia-entrada)
Realização: Instituto Ricardo Brennand e MASP
Apresentação: Bradesco, por meio da Lei Rouanet
Curadoria MASP: Adriano Pedrosa e Fernando Oliva
Apresentação local: Beth da Matta
Patrocínio: Bradesco e Cimento Nacional