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Cultura

As igrejas de Garanhuns e suas histórias, ontem e hoje

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Por Caio Mateus Pessoa — Conheço uma cidade bem pernambucana que todo mundo chama de Suíça brasileira”. É assim que o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, define a cidade de Garanhuns na canção “Onde o Nordeste Garoa”. Muitos a conhecem pelo clima, beleza e o Festival de Inverno, porém poucos conhecem a fundo sua história. Como é tradição comemorar as festas juninas nesta época, iremos trazer fotos antigas e novas das igrejas, além de alguns detalhes da origem delas.

Dia 13 de junho é o dia de Santo Antônio e um dos santos comemorados nesta época festiva. O Santo é o padroeiro da cidade e leva o nome da principal igreja de Garanhuns. Esta foi uma das primeiras construídas na Suíça pernambucana em conjunto a igreja de Nossa Senhora da Conceição. Sobre isto, Igor Cardoso, pesquisador do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) nos conta sobre a história da construção delas.

 

Catedral de Santo Antônio

“A primitiva matriz de Garanhuns foi construída pelo casal Manoel Ferreira de Azevedo e Simoa Gomes de Azevedo no centro do atual Largo do Colunata/Espaço Cultural Luís Jardim, que era a sede da fazenda deles, a Fazenda do Garcia, isso na década de 1710. Já era matriz, sempre dedicada a Santo Antônio, e possuía um cura d’almas, isto é, um pároco, em 1715, como encontramos em um documento da época. Era uma construção muito modesta e rústica, em taipa, e precisou ser restaurada várias vezes ao longo do tempo. Sabe-se, por exemplo, de uma grande reconstrução ocorrida por volta de 1742-43. Na década de 1850, projetou-se a construção de uma nova matriz, mais ampla e em alvenaria, como consta da Planta de 1854, pertencente ao acervo do Arquivo Público Estadual. Essa nova matriz viria a ser, com a criação da Diocese de Garanhuns, em 1918, elevada à condição de Catedral de Santo Antônio, e ficava do outro lado da avenida. Uma vez finalizada a nova matriz, a antiga passou à invocação de Nossa Senhora da Conceição e o espaço em seu redor, o velho “Quadro da Vila”, ficou conhecido por “Largo da Conceição”, ou “Praça da Conceição”. Mas, muito precária, a primitiva igrejinha ruiu completamente em 1891, como atesta Alfredo Leite Cavalcanti, sendo seu material construtivo utilizado na construção do cemitério que existiu nas vizinhanças do Parque Euclides Dourado”.

Foto: Carlos Tenório

A Paróquia de Santo Antônio foi criada em 1786, quando a pequena Igreja deixou de ser Capela do Curato, sendo elevada à categoria de Matriz. O primeiro Vigário foi Pe. Fabiano da Costa Pereira, no período de setembro de 1786 até outubro de 1793. Atualmente, a Catedral de Santo Antônio é liderada pelo Pe. Josenildo Bizerra da Silva, no qual celebra missas de terça à domingo. Durante o Festival de Inverno de Garanhuns, é palco de música erudita.

Foto: Carlos Tenório

 

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Igreja de São Sebastião

A história da Igreja de São Sebastião se entrelaça com o surgimento do bairro da Boa Vista. Os habitantes pensaram em criar a Paróquia no alto de São Miguel, como relata Gonzaga de Garanhuns, autor do livro Garanhuns em Versos. “O idealizador desta criação foi Pascoal Lopes Vieira de Almeida em que teve apoio da população e iniciaram a construção no ano de 1894. Depois que fizeram os alicerces abandonaram as obras”. A inauguração da igreja só vem acontecer mesmo em 7 de setembro 1922, em conjunto ao Monumento do Ipiranga, mais conhecido como Pirulito, símbolo que marcou o centenário da independência do Brasil.

“A história dela começa muito antes disso, quando houve um surto de varíola e os habitantes fizeram uma promessa de que se a doença acabasse iriam fazer uma igreja e assim aconteceu. Construíram uma pequena capela e o pessoal esqueceu. Com isso, ficou abandonada e coincidentemente outra doença voltou e retomaram as obras da igreja”, comenta Thiago Cavalcanti, ex-secretário da Igreja de São Sebastião, a partir e histórias que ouviu dos padres e que foi documentada no jornal da comunidade.

Foto: Carlos Tenório

“A arquitetura da igreja foi muito modificada em relação a 100 anos atrás e já passou por várias reformas. Numa das construções achamos a placa que marca a inauguração, toda quebrada. Nós ajeitamos e colocamos numa pilastra da paróquia para preservar a história e a memória dela”, relata Thiago sobre sua contribuição para manter viva a história da Igreja.

Foto: Carlos Tenório

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Seminário de São José

O Seminário São José começou sua construção em 1926, sendo inaugurado em 16 de julho 1927. O primeiro bispo de Garanhuns esteve à frente do projeto foi D. João Tavares Moura. Este também foi responsável por fundar a Escola de Moços Pobres do Trabalho, a União Social Católica de Homens, Filhas de Maria, Apostolado da Oração e a Conferência de São Vicente de Paulo. O primeiro reitor foi o Pe. Miguel Dias Neto, no qual comandou os alunos do internato que iniciavam no ensino fundamental até a conclusão do segundo grau. Segundo o historiador Eduardo Silva, este era um seminário menor e posteriormente viria a ser inaugurado um maior.

Foto: Carlos Tenório

Em 22 de fevereiro de 1952 foi inaugurado o Seminário São José. Obra que teve a idealização de Dom Mário Villas Boas e houve ajuda para concluir devido ao D. Juvêncio Britto. Na ocasião, reuniu diversos nomes do clero no qual foi realizada uma comemoração.

Foto: Carlos Tenório

“O Seminário São José, além de preparatório, é também momento de perceber onde estamos. Assim como maior parte das coisas na vida, o Seminário é transitório. Nos faz lembrar que nem tudo está sobre o nosso controle e que precisamos estar sempre em deslocamento, para que possamos alcançar os nossos sonhos aliados aos de Deus. No S. São José aprendemos a amar o outro com seus defeitos, pois com a convivência percebemos principalmente as nossas fraquezas e estamos sempre tendo que lidar melhor com estas inclinações que nos afastam do propósito da vocação dada pelo próprio Deus. Aprendemos cotidianamente o valor da vida interior, buscando sempre diminuir essa desfragmentação natural que ocorre durante o percurso da vida, pois a obediência faz santos”, conta Fernando Carvalho Filho, ex- seminarista sobre como foi sua aprendizagem e transformação depois do Seminário São José.
Atualmente, o S. São José, além de servir de formação de padres, tem cursos pastorais e dedica uma parte da sua estrutura para hospedagem.

 

Foto: Carlos Tenório

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São Bento

O Mosteiro de São Bento foi fundado 3 de abril de 1940 por D. Mário de Miranda da Villas Boas, bispo da Diocese de Garanhuns, e o Lourenço Zeller, Arquiabade da Congregação Beneditina do Brasil. Sua construção teve o intuito de formar novos monges no Nordeste, pois em Pernambuco só havia Olinda com esta função. O seu primeiro Prior foi Beda Keckeisen e Dom Gerardo Martins, como reitor dos estudantes.

Foto: Carlos Tenório

“Minha experiência como monge beneditino realmente mudou minha vida pra melhor, pois me fez amadurecer e crescer como pessoa através da disciplina e compromisso com o projeto de oração e trabalho, o convívio em um Mosteiro nos ensina a aceitar e conviver com aspectos diferentes de cada indivíduo e aceitar essas diferenças no amor fraternal que nos é pregado na regra de São Bento”, conta Saulo Machado, ex-aluno do Mosteiro de São Bento sua experiência.

Foto: Carlos Tenório

 

A sua arquitetura foi realizada por Hélio Feijó. Eros Martim Gonçalves pintou o mural da cripta, no qual representa “O Milagre da Obediência” e Paulo Lanchenmayer fez o desenho do altar.

 

Foto: Carlos Tenório

Atualmente, o Mosteiro de São Bento além da formação eclesiástica, oferece serviços de hospedagem, panificação, licores e artesanato.

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Igreja do Perpétuo Socorro

A Igreja de N. Sra.do Perpétuo Socorro iniciou sua construção em 1957 e foi concluída em 08 de dezembro de 1962.  “Quando cheguei em 57 só tinha os alicerces, mas a construção começou em 1958 e lembro que na época a população também ajudou com doações. Além disso, já havia um convento onde atualmente é o Hospital Perpétuo Socorro. E a torre do sino foi construída no ano de 70 e tem 2m de profundidade”, relata Gonzaga de Garanhuns suas memórias na participação da obra.

Ela teve o incentivo dos Redentoristas e foi projetada pelos engenheiros Albert Reitlher (alemão) e Pierre Reitlher (francês e filho de Albert). O primeiro foi formado na Technisce Rochschuleachen e ganhou dois prêmios em arquitetura, um em 1930 – Portugal e o segundo em 1937 – Paris, França. Sobre Albert, Luiz relata uma curiosidade: “Albert Reithler foi prefeito de uma cidade da Alemanha, na época da segunda guerra mundial, e quando ele estava construindo a igreja ele não podia ir à Alemanha, pois podia ser julgado”.

 

Foto: Carlos Tenório

 

Para comandar a Paróquia chegaram vários holandeses à Garanhuns, o primeiro foi Pe. Pedro Kruter (1949-1953), em seguida vieram Adriano Backx (1953-1959) e Teofânio Stallaert (1959-1962). “Eu cheguei até a conhecer o primeiro vigário da Igreja, o Pedro Kruter, e passei doze anos com ele e outros padres. Acabei até aprendendo a língua deles. A Igreja de N.Sra. do P. Socorro faz parte da minha história, pois morei naquele período numa casinha e até plantei um ‘pé de pinha’ em 1964. Afirmo que testemunhas vivas da construção só existe eu e o Pe. Luiz Gonzaga da Igreja da Madalena, no Recife”, comenta Gonzaga de Garanhuns sobre a importância da Paróquia em sua vida e suas memórias.

*Caio Mateus Pessoa é jornalista

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