CBTU defende compra de trens usados para evitar colapso do Metrô do Recife Companhia afirma que composições vindas de Belo Horizonte têm boa capacidade operacional e começam a chegar a Pernambuco ainda em maio
Companhia afirma que composições vindas de Belo Horizonte têm boa capacidade operacional e começam a chegar a Pernambuco ainda em maio

Os seis trens usados que estão sendo comprados pelo governo federal para o Metrô do Recife têm boa capacidade operacional, não são sucatas como denunciado pelo Sindicato dos Metroviários (SindMetro) e representam a única saída técnica viável e segura para evitar um colapso do sistema em 2027. É isso ou a paralisação da Linha Sul do metrô por falta de trens a partir de abril do próximo ano.
O primeiro dos seis trens, inclusive, está sendo embarcado para Pernambuco nesta sexta-feira (8/5) e deverá chegar ao Recife entre os dias 15 e 19 de maio, com previsão de entrar em operação na Linha Sul a partir de junho. Os outros cinco serão enviados gradativamente a partir de julho, agosto e setembro. A previsão, após os ajustes técnicos, é de que os seis trens estejam operando no sistema entre outubro e novembro deste ano.
Essas e outras explicações foram apresentadas pelo comando nacional da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), superintendência da Companhia no Recife e por técnicos da instituição em conversa com jornalistas nesta segunda-feira (4/5), na sede do Metrô do Recife, em Areias, na Zona Oeste da capital.
O corpo técnico da CBTU decidiu dar as explicações depois que o SindMetro denunciou, com base em documentos técnicos oficiais, que os seis trens comprados do Metrô de Belo Horizonte – que foi concedido à iniciativa privada no fim de 2022 – estariam sendo adquiridos com valores superfaturados, o que foi negado pela Companhia.

Os técnicos começaram relembrando que o Metrô do Recife enfrenta uma crise de frota sem precedentes, operando atualmente com apenas 17 trens, uma redução de 48% em comparação aos 40 trens que circulavam em 2015.
“Estudos técnicos mostram que a frota da Linha Sul, composta pelos antigos trens Santa Matilde com mais de 40 anos, está no fim de sua vida útil. A projeção estatística indica que, sem reforços, a linha teria apenas quatro trens operacionais em abril de 2027, o que tornaria a operação inviável. Atualmente, o sistema já sofre com superlotação e baixa confiabilidade, resultando em intervalos de até 20 minutos nos horários de pico. Para evitar o colapso total da Linha Sul, a CBTU oficializou a compra emergencial de seis composições usadas do Metrô de Belo Horizonte”, explicou o gerente geral de Programas da CBTU, Adalberto Nunes.
POR QUE OS TRENS DE BELO HORIZONTE

A escolha pelos trens mineiros ocorreu após a análise de outras alternativas que se mostraram inviáveis. “Tentamos outras companhias, como a CPTM de São Paulo e a Trensurb, de Porto Alegre. Mas no caso da CPTM, os trens estavam parados há cinco anos, degradados e seriam vendidos como sucata, exigindo reformas profundas e caras. E, no caso da Trensurb, das cinco composições oferecidas, apenas uma estava pronta para uso imediato. As outras quatro precisariam de até 38 meses para recuperação a um custo de R$ 32,5 milhões, além de outras despesas com adequação da oficina (R$ 7,5 milhões) e a logística de transporte (R$ 25 milhões)”, afirmou o gerente geral.

