Chef carioca com o pé na Europa

Depois do “Mestre do Sabor”, Kátia desembarca nas varandas do Avillez, em Portugal, e promete abrir bar no país
 Chef carioca com o pé na Europa

Ela é carioca, tem raízes nordestina e um pé na Europa. Conheça a história da chef Kátia Barbosa, que faz sucesso com a famosa receita do bolinho de feijoada – o delicioso petisco que já lhe rendeu algumas dezenas de prêmios na alta gastronomia e ganhou recentemente novo endereço. O prato vem compondo o cardápio do restaurante Bairro do Avillez, em Portugal. O nome familiar é do chef que brilhou ao seu lado no reality show “Mestre do Sabor”, que a TV Globo exibiu no ano passado. Kátia e José Avillez se juntaram nesse projeto em que ela mistura referências nordestinas com elementos cariocas e oferece aos portugueses uma experiência gastronômica bem conceitual.

No ano passado você participou do programa “Mestre do Sabor”, da Rede Globo. Foi ali que conheceu o chef José Avillez ou já havia algum contato anteriormente?

Esse projeto é um namoro antigo, desde que nos conhecemos há uns três ou quatro anos. Sempre que nos encontrávamos, pensávamos como seria. Na verdade, acho que o programa ajudou muito na realização dessa ideia. Não sei se ele (José Avillez) pensa em repetir a edição, mas eu penso seriamente (risos).

E as boas notícias não param por aí. Por acaso, como costumam dizer por aqui os portugueses, a chef brasileira está planeando abrir o seu próprio espaço na capital portuguesa.

Estou pensando seriamente em abrir um boteco em Lisboa. A verdade é que eu acho muito bacana poder voltar a Portugal e mostrar para os portugueses o que a gente fez com a cultura que eles trouxeram pra gente. Eles vieram pra cá (Brasil) alguns anos atrás e nos mostraram o que era ter um armazém, um pequeno comércio que vendia comida, bebida pronta… e a gente foi transformando isso no que chamamos hoje de botequim, que é um ponto de encontro, um ícone do carioca. O carioca vê o botequim quase como uma instituição. Cada um no Rio (de Janeiro) tem o seu (botequim) preferido, e isso é muito bacana. É como se a gente tivesse internalizado, mastigado e agora devolvesse a Portugal uma nova cultura, um novo negócio, com um novo olhar sobre o que eles nos ensinaram. Então, abrir esse negócio em Portugal é muito mais por isso. Quando fui a Portugal a primeira vez, já tem uns oito a dez anos, a primeira impressão que tive foi: nossa, eu sei de onde vim! Quando você vê o português o recebendo falando alto e rindo, isso é muito gostoso, é muito verdadeiro.

“O grande barato foi ter criado uma versão de petisco de um dos pratos mais amados no Brasil”

Depois de nos dar essa excelente notícia, quero voltar ao famoso bolinho de feijoada. Há algum segredo guardado nessa iguaria, ou pode nos revelar?

(Risos) Já está mais que revelado. Acho que o primeiro compromisso de quem cozinha é saber dividir! Posso te enviar a receita, se quiser. Pra mim, o grande barato foi ter criado, sem pretensão alguma, uma versão de petisco de um dos pratos mais amados na gastronomia brasileira.

E de onde partiu essa paixão pela cozinha? Recebeu influências de alguém?

Meus pais tiveram grande influência na minha cozinha, claro! Mas foi meu pai que ajudou a apaixonar-me pela cultura nordestina e, consequentemente pela comida. Meu pai era um paraibano da cidade de Campina Grande, muito severo, mas muito amoroso também. Ele era apaixonado pela sua cultura e ganhava a vida fazendo cocadas, cuscuz e quebra queixo para vender nas portas dos cinemas do subúrbio. Com ele, também aprendi a escolher os melhores produtos na feira do bairro.

Hoje você conduz o restaurante que outrora era um bar do irmão e sua cunhada. Falo do Aconchego Carioca, um negócio que cresceu e já conta com cinco estabelecimentos, além da edição nas varandas do Avillez, que trouxe para Portugal o melhor da comida brasileira. Poderia falar um pouco deste início?

Fui trabalhar no Aconchego de ajudante “faz tudo” do meu irmão, que era sócio e cozinheiro. Um ano depois, meu irmão e a minha cunhada se separaram e ela me pediu para continuar, porque não entendia nada do negócio. Fiquei com ela e tivemos a ideia de fazer um trabalho de valorização da comida brasileira. Eu tinha muita intimidade com a cozinha nordestina por conta dos meus pais paraibanos, então começamos com apenas quatro pratos no cardápio: camarão na moranga, bobó de camarão, baião de dois e escondidinho de carne seca. Como eu não havia estudado escola de gastronomia, comecei a pesquisar em livrarias e bibliotecas nos poucos momentos de folga. Em um ano fui indicada a um prêmio de uma revista, e ganhei.

Qual o principal prato do Aconchego Carioca?

O Aconchego faz uma comida brasileira feita por e para carioca. Isso se reflete no tempero e no serviço. Diria que o prato mais conhecido hoje são o bolinho de feijoada e o bobó de camarão, mas outros como o camarão na moranga e o camarão no coco também são bem procurados.

É considerada hoje um dos principais nomes da gastronomia brasileira. Quando você percebeu que estava ficando famosa?

Hahahahahaha… essa é fácil! Quando ando nas ruas. O legal é poder inspirar as pessoas. Com essa fama vem a responsabilidade. E as pessoas perceberem que podem chegar aqui, isso é f*… (sic).

E antes que termine essa deliciosa entrevista, é claro que gostaria de saber qual o seu lugar predileto em Portugal, onde e o que costuma comer e beber quando está por aqui?

Cara, tem uns lugares muito legais em Lisboa. Piro em Cascais, fico literalmente flanando por ali. Se amo atravessar o Tejo e passar a tarde comendo carvoadas em Porto Brandão… o Bairro do Avillez é um lugar que me sinto muito bem. Zé da Mouraria e uma bifana atrás do Cais da Ribeira (Triangulo da Ribeira), um lugar que no horário do almoço fica lotado de operários, amei comer ali. Tem também o Pig Meu, no Campo do Ourique. Bebo na Toca da Raposa, enfim eu ficaria aqui falando das opções gastronômicas do país um dia inteiro.

*As imagens foram cedidas pela assessoria de comunicação de Kátia Barbosa

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