CNJ lança aplicativo A.Dot para ampliar adoção de crianças e adolescentes no Brasil Ferramenta reúne perfis de menores com maior dificuldade de adoção, incluindo adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência
Ferramenta reúne perfis de menores com maior dificuldade de adoção, incluindo adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou nesta segunda-feira (25), Dia Nacional da Adoção, o aplicativo A.Dot, ferramenta voltada à divulgação de informações sobre crianças e adolescentes com maior dificuldade de encontrar uma família adotiva.
A iniciativa é direcionada principalmente a crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e menores com deficiência ou necessidades específicas de saúde, públicos considerados prioritários pela busca ativa do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
Como funciona o aplicativo
A ferramenta, que já funcionava no Tribunal de Justiça do Paraná, foi apresentada em um webinário promovido pelo CNJ. O acesso ocorre por meio da conta Gov.br.
Os interessados podem iniciar o pré-cadastro e acompanhar o processo de habilitação para adoção diretamente pelo aplicativo. Na plataforma, usuários habilitados conseguem visualizar perfis das crianças e adolescentes disponíveis para busca ativa, com fotos, vídeos curtos e informações essenciais.
Segundo o CNJ, a inclusão dos menores depende de autorização judicial e o uso da ferramenta exige compromisso com a preservação da identidade, da intimidade e do sigilo das informações.
Mais de 1,8 mil crianças aptas
Dados do CNJ apontam que 1.801 crianças e adolescentes estão aptos atualmente para a busca ativa no Brasil. Desde 2019, o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento viabilizou mais de 33,5 mil adoções no país, sendo 1.826 delas por meio desse modelo.
O aplicativo foi lançado já com 1.787 crianças e adolescentes cadastrados na plataforma.
Proteção integral e visibilidade humanizada
Durante o lançamento, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, ministro Edson Fachin, afirmou que a ferramenta foi criada para ampliar o acesso qualificado à informação e fortalecer a proteção integral na área da adoção e acolhimento.
“Esse aplicativo permite que pretendentes devidamente habilitados tenham acesso seguro a informações autorizadas, inclusive conteúdo audiovisual, contribuindo para decisões mais conscientes e responsáveis”, declarou. Segundo Fachin, a tecnologia também representa uma forma de cooperação nacional voltada à garantia de direitos fundamentais.
Busca ativa e preservação de vínculos
O juiz auxiliar da presidência do CNJ e gestor do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, Hugo Zaher, afirmou que o aplicativo oferece uma apresentação mais humanizada e respeitosa das crianças e adolescentes.
“Pretendentes habilitados em qualquer unidade da federação poderão acessar diretamente pelo celular, na palma da mão, a busca ativa nacional de crianças e adolescentes aptos à adoção, superando barreiras geográficas e ampliando as possibilidades”, afirmou.
Segundo ele, a proposta busca reduzir a invisibilidade enfrentada em casos de adoção tardia, grupos de irmãos e crianças com deficiência.
“O que buscamos é oferecer visibilidade qualificada, uma visibilidade ética protegida e humanizada, uma visibilidade que respeite a história, a identidade, a privacidade e o protagonismo de cada criança”.
Perfil das crianças disponíveis
De acordo com o CNJ, mais de 90% das crianças e adolescentes incluídos na busca ativa têm mais de oito anos de idade. Além disso, mais de 60% possuem ao menos um irmão.
Ainda segundo Hugo Zaher, cerca de 65% das adoções realizadas pela busca ativa conseguem preservar irmãos juntos. “Para crianças e adolescentes com deficiência, também a busca ativa é uma importante alternativa”.

