EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e abrem consulta pública antes de decisão final Medida baseada em investigação comercial mira produtos industrializados, têxteis, calçados, açúcar e etanol, enquanto carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo e minérios estratégicos ficam fora da taxação
Medida baseada em investigação comercial mira produtos industrializados, têxteis, calçados, açúcar e etanol, enquanto carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo e minérios estratégicos ficam fora da taxação

O governo dos Estados Unidos anunciou na noite de segunda-feira (1º) a proposta de uma tarifa punitiva de 25% sobre importações brasileiras. A medida deixa de fora uma lista significativa de produtos considerados estratégicos ou sem substitutos suficientes no mercado americano, mas o que será efetivamente taxado ainda preocupa exportadores brasileiros.
Entram na mira da tarifa produtos industrializados, calçados, têxteis, suco de laranja, açúcar, etanol e manufaturados em geral. Do outro lado, ficam isentos carne bovina, café, cacau, frutas tropicais como manga, abacaxi e goiaba, além de especiarias, erva-mate e tapioca.
Na lista de exceções também estão petróleo bruto e derivados, gás natural, minérios estratégicos como ferro, cobre, níquel e lítio, terras raras, compostos farmacêuticos, fertilizantes, vacinas e peças de aeronaves – itens que os EUA consideram essenciais e que não conseguem obter em quantidade suficiente de outras fontes.
A proposta tem por base a conclusão de uma investigação aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a pedido do presidente Donald Trump, com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Após ouvir mais de 30 testemunhas e receber cerca de 300 manifestações, o USTR concluiu que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.
Entre os pontos criticados estão o PIX – que o documento americano acusa de favorecer o Banco Central em detrimento de provedores estrangeiros –, a concessão de tarifas preferenciais ao México e à Índia, falhas no combate ao desmatamento ilegal, lentidão na análise de patentes, proteção insuficiente à propriedade intelectual e o que os EUA classificam como retrocesso no combate à corrupção, citando especificamente a anulação de processos da Lava Jato pelo STF em 2023.
Negociações em aberto
A tarifa não está definida. Antes de qualquer aplicação, o governo americano abriu consulta pública com prazo para comentários escritos até 1º de julho e audiência pública marcada para 6 de julho. O prazo legal para adoção de medidas corretivas é 15 de julho de 2026.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as negociações com o governo Lula seguem em curso, mas reconheceu impasse. “Continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, disse.
O anúncio frustra uma tentativa do governo brasileiro de evitar retaliações por meio do diálogo direto entre Lula e Trump – e chega num momento de tensão já elevada pela recente classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.

