De 11 a 16 de novembro, o Observatório Latino-americano de Realizadoras ocupa espaços de Carpina e Paudalho com mostras competitivas, sessões especiais, debate, oficinas, premiações e apresentação musical. A programação celebra a potência dos encontros e das articulações coletivas entre mulheres no cinema latino-americano
O cinema realizado por mulheres e dissidências de gênero na América Latina ganha as telas, as praças e os espaços de formação da Zona da Mata pernambucana. Entre os dias 11 e 16 de novembro (quarta a segunda-feira), o Festival de Cinema OLAR 3 – Observatório Latino-americano de Realizadoras promove uma programação gratuita em Carpina e Paudalho, reunindo 23 filmes de dez países, mostras competitivas, sessões especiais, mesa de debate, oficinas, premiações e apresentação musical. A terceira edição amplia a presença territorial do festival e aproxima diferentes experiências do audiovisual latino-americano de novos públicos, com atividades em salas de cinema, espaços públicos e escola.
Criado em 2020 por Cíntia Lima e Lílian de Alcântara, o Observatório Latino-americano de Realizadoras nasceu com o propósito de contribuir para a pesquisa, a preservação da memória e a difusão do cinema realizado por mulheres e dissidências de gênero na América Latina e no Caribe. Com o tema “Para eso nos juntamos!”, o OLAR 3 presta homenagem às trajetórias de coletivos, grupos de realizadoras e festivais de mulheres que, em diferentes momentos da história e em distintos países da América Latina, construíram redes de colaboração e espaços próprios para produzir, exibir e pensar o cinema. A expressão, que evoca a força do encontro e da organização coletiva, também traduz a proposta do festival: reunir realizadoras, pesquisadoras, artistas e público em torno de imagens, histórias e perspectivas que ampliam a presença das mulheres na memória e na produção audiovisual do continente.
A abertura oficial acontece na quarta-feira, 11 de novembro, no CineTeatro Marco Camarotti, em Paudalho, com a Mostra Referência OLAR, dedicada à cineasta peruana María Barea. A sessão apresenta dois filmes de sua trajetória: o curta-metragem Mujeres del Planeta (1982), e o longa-metragem Antuca (1992). A diretora estará presente e participará de uma mesa de debate ao lado das pesquisadoras Maria Cardozo e Lorena Best Urday, com mediação de Lílian de Alcântara. A homenagem destaca a contribuição de Barea para o cinema latino-americano e abre espaço para uma conversa sobre sua trajetória e a maneira que ela encontrou de retratar a realidade das mulheres peruanas.
Na quinta-feira, 12 de novembro, também no CineTeatro Marco Camarotti, será realizada a Mostra Competitiva Sara Gómez, que leva o nome dessa influente cineasta afro-cubana, reconhecida pelo domínio da linguagem audiovisual e pelo olhar crítico sobre as transformações sociais. Essa perspectiva orienta a curadoria da mostra, que reúne dez filmes de sete países: Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Uruguai, Costa Rica e Bolívia. A competição será dividida em duas sessões, às 19h e às 20h30. O júri é formado pela cineasta brasileira Rita Luna, pela cineasta argentina Rocío Barbenza e pela atriz e diretora brasileira Renna Costa. Ao final das sessões, o público também poderá participar de um debate sobre os filmes exibidos.
Em Carpina, a Praça José Otávio recebe as sessões ao ar livre da programação, aproximando o festival do cotidiano da cidade e transformando o espaço público em lugar de encontro com o cinema. Na sexta-feira, 13 de novembro, a praça recebe a primeira sessão da Mostra Competitiva Abya Yala, que continua no sábado, 14 de novembro. Com filmes da Argentina, do Brasil, da República Dominicana, de Porto Rico e do Equador, a mostra amplia o panorama de realizadoras e produções audiovisuais da região. O júri é composto pela cineasta brasileira Carine Fiuza, pela diretora de arte uruguaia Camila Larocca e pela cineasta e produtora brasileira Mery Lemos. As sessões também serão acompanhadas de debates, criando oportunidades de troca entre realizadoras, público e profissionais do audiovisual.
Nos dias 13 e 14 de novembro, a Praça José Otávio também recebe as artesãs da Feira de Artesanato Grandes Artes e a Secretaria da Mulher de Carpina, que ocupam o espaço junto com o Festival OLAR 3, ampliando o encontro entre cultura, artesanato e iniciativas de valorização das mulheres.
O encerramento do Festival OLAR 3 acontece no sábado, 14 de novembro, na Praça José Otávio, em Carpina. Antes da premiação, serão exibidos os curtas-metragens O Nascimento da LaUrsa (2026), de Cíntia Viana, e Banho de Choque (2026), da cineasta carpinense Cíntia Lima. Filmado integralmente na Zona da Mata pernambucana, Banho de Choque terá uma sessão especial com a presença de integrantes da equipe, marcando sua primeira exibição em Pernambuco.
A cerimônia reconhece os filmes selecionados nas mostras competitivas e apresenta troféus concebidos por artistas de Tracunhaém: Silvia Ribeiro assina a peça da Mostra Abya Yala, enquanto Cíntia Viana é responsável pelo troféu Sara Gómez. Também será concedido o Prêmio Luminor, que contempla um dos filmes com serviços de coloração e pós-produção para uma obra futura, no estúdio mexicano Luminor, sob responsabilidade de Ricardo Bross. A noite termina com a Noite Latina, ao som da DJ Makeda, do Recife.
O Prêmio Luminor oferecerá US$ 27.651 em disponibilização de estúdio e serviços de finalização. O prêmio será concedido pelo júri da Mostra Sara Gómez e tem como objetivo incentivar o próximo trabalho da realizadora e/ou produtora do filme selecionado.
A programação se estende ainda à rede pública de ensino. Na segunda-feira, 16 de novembro, a Sessão Cine Escola será realizada na Escola Estadual São José, conhecida como Dispensário, em Carpina, com exibições exclusivas para estudantes. A seleção reúne os curtas-metragens Uma Erói (2025), de Babi Baracho e Diana Coelho; O Nascimento da LaUrsa (2026), de Cíntia Viana Rodrigues; e Duna (2026), de Gabriela Barbalho e Paula Vanina.
A formação também ocupa lugar central nesta edição. Durante o dia, a Sala de Formação OLAR promove duas oficinas gratuitas: “Atuação para Cinema”, com a atriz e preparadora de elenco Clébia Sousa, em Paudalho, e “Ensaio-Collage: Mexendo no Archivo Reversible”, com a pesquisadora peruana Lorena Best Urday, em Carpina. As atividades integram a programação formativa do festival e articulam prática artística, pesquisa, memória e reflexão sobre a presença das mulheres no audiovisual. Três bolsas foram concedidas a estudantes de outras cidades do interior de Pernambuco, oferecendo suporte para transporte, alimentação e hospedagem e viabilizando sua participação nas atividades e na experiência do festival.
O Festival de Cinema OLAR 3 – Observatório Latino-americano de Realizadoras é uma produção da produtora carpinense OLAR Filmes, com incentivo do Funcultura Audiovisual, da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco (Secult-PE), e apoio da Lei Paulo Gustavo (PE) e do Ministério da Cultura (MinC).
SERVIÇO:
3º FESTIVAL DE CINEMA OLAR – OBSERVATÓRIO LATINO-AMERICANO DE REALIZADORAS
Programação: 11 a 16 de novembro de 2026
Entrada: gratuita e aberta ao público, exceto a sessão escolar, que será exclusiva para estudantes.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
11/11 – QUARTA-FEIRA
10H – 12H
Oficina de Atuação para Cinema com Clébia Sousa
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
13H30 – 15H30
Oficina de Atuação para Cinema com Clébia Sousa
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
19H
Abertura Do Festival
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
Mostra Referência OLAR: o cinema de María Barea
Mujeres del Planeta (María Barea, Peru, 1982, 32 min)
Antuca (María Barea, Peru, 1992, 75 min).
Mesa de debate:
Maria Barea, Maria Cardozo e Lorena Best. Mediação: Lílian de Alcântara.
12/11 – QUINTA-FEIRA
10H-12H
Oficina de Atuação para Cinema com Clébia Sousa
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
13h30 – 15h30
Oficina de Atuação para Cinema com Clébia Sousa
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
19H
Mostra Competitiva Sara Gómez – Sessão I
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
Nhemongaraí: Ontem, Hoje e Amanhã (Natália Tupi e Richard Wera Mirim, Brasil, 13′, 2025)
MDB (Mila Aquilia, Argentina, 18’, 2025)
La Mona (Laura Gutiérrez Ardila, Colômbia, 18′, 2025)
Misión Leche (Sabrina Franco, Peru, 4′, 2025)
Adiós a mi teta (Andrea Treszczan, Uruguai, 16′, 2025)
20H30
Mostra Competitiva Sara Gómez – Sessão II
Local: Teatro Marco Camarotti – Paudalho
Gira (Maiara Líbano, Brasil, 19′, 2025)
Soñé con un paisaje (Kim Torres, Costa Rica, 13′, 2025)
Todos los nombres empiezan con M (Carla Scolari, Argentina, 19′, 2026)
Cristóbal Condori: Una Nariz De Ficción 2d (Viviana Mamani Cori, Bolívia, 8′, 2025)
Logos (Britney Federline, Brasil, 11’, 2025)
Debate sobre os filmes ao fim da sessão.
13/11 – SEXTA-FEIRA
13H-16H
Oficina Ensaio-Collage: Mexendo no Archivo Reversible com Lorena Best
Local: Uno Hotel – Carpina.
19H
Mostra Competitiva Abya Yala I
Local: Praça José Otávio – Carpina
Rua 27 (Gabi Saegesser, Nathalia Flor e Roma Julia, Brasil, 14’, 2026)
La Paserita (Yéssica Pattó, Argentina, 2025, 14’)
Fissuras (Diana Coelho, Brasil, 14’, 2026)
De Ema para Mami (Sofía Richiez, República Dominicana, 16’, 2025)
Partir y renunciar (Marilu Varsky, Argentina, 23’, 2025)
Debate após a sessão.
14/11 – SÁBADO
13H-16H
Oficina Ensaio-Collage: Mexendo no Archivo Reversible com Lorena Best
Local: Uno Hotel – Carpina.
19H
Mostra Competitiva Abya Yala II
Local: Praça José Otávio – Carpina
Recao (Dayra Ferrera, Porto Rico, 15’, 2025)
Plano Secreto de Alie (Lux Farr, Brasil, 20’, 2026)
Pedra-mar (Janaína Lacerda, Brasil, 12’, 2026)
Epoca de Plagas (Gabriela Calvache, Equador, 15’, 2026)
21H
Encerramento do Festival OLAR 3
Local: Praça José Otávio – Carpina
O Nascimento da LaUrsa (Cíntia Viana, Brasil, 7’, 2026)
Banho de Choque (Cíntia Lima, Brasil, 20′, 2026)
Premiação
Noite Latina com DJ Makeda
16/11 SEGUNDA-FEIRA
Cine OLAR na Escola
Local: Escola Estadual São José (Dispensário).
Exclusivo para os estudantes.
Uma Erói (Babi Baracho e Diana Coelho, Brasil, 2025, 15’)
O Nascimento da LaUrsa (Cíntia Viana Rodrigues, Brasil, 2026, 6’)
Duna (Gabriela Barbalho e Paula Vanina, Brasil, 2026, 6’)






