Investigação apura supostas fraudes em licitações e contratos de R$ 58,6 milhões da Prefeitura do Recife Órgãos de controle investigam possível conluio entre quatro empresas fornecedoras de materiais de limpeza para escolas, creches e unidades da assistência social; apuração também analisa capacidade operacional das empresas e eventual ligação com agente político
Órgãos de controle investigam possível conluio entre quatro empresas fornecedoras de materiais de limpeza para escolas, creches e unidades da assistência social; apuração também analisa capacidade operacional das empresas e eventual ligação com agente político

Informações do Blog Manoel de Meideiros
A compra de milhões de itens de material de limpeza para escolas, creches e prédios da assistência social da Prefeitura do Recife a um grupo de quatro empresas que teriam relação empresarial direta entre si – suspeitas de conluio -, com faturamento que soma R$ 58,6 milhões junto à Prefeitura do Recife entre 2022 e 2026, está sendo investigada por órgãos de controle locais e também tramita no âmbito de órgãos federais. A investigação estuda se parte das empresas teria capacidade operacional e até mesmo estoque.
Das quatro empresas, três foram criadas durante a gestão do ex-prefeito João Campos (PSB). Até mesmo uma fábrica de papel higiênico e papel toalha foi constituída recentemente pelo grupo e já abastece escolas e creches da rede municipal. Uma das hipóteses das investigações é que o presidente da Câmara Municipal do Recife, vereador Romerinho Jatobá (PSB), tenha relação com o grupo, podendo até mesmo ser o sócio oculto da organização empresarial.
De acordo com documentos em posse do Blog, o Ministério Público de Contas do Estado de Pernambuco pediu, ainda em 20 de agosto de 2025, o aprofundamento das investigações ao Tribunal de Contas do Estado após análise de denúncia anônima apresentada ao órgão. Há suspeitas também de fraudes fiscais analisadas no âmbito de apuração preliminar da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, cujos resultados não são conhecidos. Por utilizar recursos federais, sobretudo do Fundo Nacional de Assistência Social, a Polícia Federal também foi acionada ainda no primeiro semestre de 2025.
Entre os elementos que chamaram atenção, destaca-se o fato de que a maior parte dos atestados de capacidade técnica apresentados nas licitações por parte das empresas foi assinada pela RM Terceirização e Gestão de Recursos Humanos Ltda., que pertence ao pai do presidente da Câmara, o empresário Romero Jatobá Cavalcanti Filho.
Os atestados de capacidade técnica são peças fundamentais para que as pessoas jurídicas possam participar de licitação e tem o objetivo de provar que já prestaram serviço ou forneceram materiais antes daquela compra. Como parte das licitações foram realizadas poucas semanas após algumas empresas terem sido constituídas, os atestados da RM – que, a depender das investigações, podem ser considerados falsos – garantiram a participação e a posterior contratação.

A principal empresa do grupo é a Jatto Distribuidora, pertencente ao empresário Brivaldo Jatobá Neto, de 34 anos, que já teve carreira política e tem ligações com ex-secretários de Governo da Prefeitura do Recife nas gestões Geraldo Julio e João Campos.
Fundada em 2017, passou a negociar com a Prefeitura do Recife entre 2019 e 2020, com especial destaque para venda de máscaras de proteção (EPIs) utilizados na pandemia. A venda via dispensa de licitação foi alvo de auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Técnicos da Corte de Contas apontaram a necessidade de devolução de quase meio milhão de reais, mas os conselheiros decidiram julgar a auditoria como regular.
A partir de 2022, a empresa passou a turbinar os contratos com a Prefeitura do Recife sobretudo a partir de fornecimentos à rede escolar, incluindo venda de material de limpeza, kits enxovais e máquinas de lavar e secar. A empresa possui hoje uma cartela de clientes significativa, tem um galpão de grande porte na BR-101, Guabiraba, e seria a matriz do grupo, abastecendo também a rede de empresas de terceirizados sob o comando da família Jatobá.
As outras empresas – Primordial Comércio, GCA Comércio e Indústria de Papéis Leão do Norte – pertenceriam ao mesmo grupo, duas em nome de amigos de infância de Brivaldo Jatobá enquanto a Leão do Norte está registrada no nome do próprio empresário dono da Jatto (ou Jatobarreto, razão social). O proprietário da Primordial, por exemplo, era funcionário da Jatobarretto. A empresa funcionou até poucos meses em duas salas numa pequena galeria no final da Avenida Caxangá.
Além da Prefeitura do Recife, o grupo tem como um dos principais e mais rentáveis clientes a própria RM Terceirização, empresa que domina milhões em contratos de terceirizados na administração pública em Pernambuco, com destaque para Governo de Pernambuco e prefeituras, como a do Recife.
Dados da investigação em curso apontam para vários elementos que se somam em torno da hipótese de vinculação do grupo político do presidente da Câmara do Recife ao grupo empresarial que passou a ser prioridade – na gestão João Campos/Victor Marques – no quesito fornecimento de itens como sacos plásticos, papel higiênico, papel toalha, água sanitária, lustra móveis, vassouras, baldes, entre outros.
O Blog se coloca à disposição para apresentar o posicionamento do vereador e das empresas.
Matéria em atualização.





