Médico acusado de matar paciente após harmonização de bumbum é preso no Ceará Réu por homicídio qualificado, profissional estava foragido há mais de dois meses após morte de paciente no Recife
Réu por homicídio qualificado, profissional estava foragido há mais de dois meses após morte de paciente no Recife

Informações do JC
O médico Marcelo Alves Vasconcelos, acusado pela morte de uma paciente após procedimento de “harmonização do bumbum” realizado no Recife, foi preso no Ceará. Ele era considerado foragido desde o início de abril, quando um mandado de prisão preventiva foi expedido pela Justiça de Pernambuco.
Marcelo, que responde por homicídio qualificado (motivo torpe/ganância), foi capturado por policiais civis do Ceará no município de Maracanaú no último sábado (6). Ele passou por audiência de custódia no dia seguinte, quando foi homologada a prisão preventiva.
O médico é acusado pela morte da comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos. O corpo foi encontrado cerca de 24 horas após ela passar pela aplicação de 360 ml de polimetilmetacrilato, conhecido popularmente como PMMA – a substância é proibida para fins estéticos e reparadores pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
O procedimento foi realizado numa clínica localizada no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, em 11 de janeiro de 2025.
O laudo tanatoscópico indicou que paciente morreu de embolia pulmonar – condição grave que já atingiu outras vítimas que receberam injeção glútea do PMMA.
Conforme revelado pelo Jornal do Commercio, a investigação da Polícia Civil de Pernambuco apontou que o médico não realizou exames prévios na paciente, que possuía uma infecção. Na avaliação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Marcelo assumiu o risco ao realizar o procedimento, visto que tinha conhecimento da possibilidade de intercorrências provocadas pelo uso do PMMA.
A investigação identificou que Adriana visualizou a postagem no Instagram da empresa “Bodyplastia – Harmonização Corporal”, com mais de 130 mil seguidores, em 26 de dezembro de 2024. Na ocasião, entrou em contato por meio de um link fornecido na página e demonstrou interesse na consulta com o médico, pagando R$ 500 antecipadamente. O investimento teria sido de R$ 21 mil.
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) indicou que o médico também não tinha registro, ou seja, não poderia exercer a atividade legalmente no Estado.
DEFESA DO MÉDICO
O advogado Niefson Bruno Oliveira Santos, responsável pela defesa de Marcelo, afirmou, em nota, que Marcelo “sempre esteve, e continua estando, à disposição da Justiça por meio de sua defesa técnica”.
No texto, a defesa afirmou que Marcelo não estava foragido. “Ele estava em sua residência, na Região Metropolitana de Fortaleza, e, quando houve a primeira diligência policial no local, foi encontrado imediatamente e se apresentou sem qualquer resistência. Isso demonstra, de forma objetiva, seu respeito à Justiça e às instituições”, disse.
A defesa declarou ainda que “todas as questões médicas, técnicas e demais provas serão tratadas apenas dentro do processo, como deve acontecer” e que Marcelo “lamenta profundamente a morte da paciente, se solidariza com os familiares e reafirma que confia que a Justiça vai analisar os fatos da forma correta”.
AUDIÊNCIA
Está marcada para 22 de setembro a audiência de instrução e julgamento do caso, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Se houver tempo, também haverá o interrogatório do réu.
Somente ao final desta etapa do processo, a Justiça vai decidir se o médico irá a júri popular.





