Moradores levam 72 corpos à praça após operação mais letal da história do Rio de Janeiro

Governador Cláudio Castro confirma 58 mortes oficialmente, mas moradores denunciam número bem maior; corpos foram levados à Praça São Lucas, na Penha, para reconhecimento por familiares.

 Moradores levam 72 corpos à praça após operação mais letal da história do Rio de Janeiro Governador Cláudio Castro confirma 58 mortes oficialmente, mas moradores denunciam número bem maior; corpos foram levados à Praça São Lucas, na Penha, para reconhecimento por familiares.

Foto: Divulgação

Do G1

Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, levaram pelo menos 72 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada de hoje, o dia seguinte à operação mais letal da história do RJ. Desde terça (28), houve ao menos 130 mortes:

  • O governo havia informado em balanço na terça que havia 64 mortos, sendo que 4 eram policiais civis e militares.
  • Mas, na manhã desta quarta, o governador Cláudio Castro (PL-RJ) só confirmou oficialmente 58 mortos, sendo que eram 54 criminosos. Ele não esclareceu por que o número do balanço de ontem foi alterado.
  • Já os corpos levados à praça na Penha nesta quarta não constavam nos números oficiais, informou o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.

Haverá uma perícia para ver se há relação entre essas mortes e a operação. A reportagem apurou ainda que os corpos, todos de homens, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes.

O governador Cláudio Castro disse considerar que a ação foi um “sucesso” e que só os quatro policiais mortos são “vítimas”.

Reconhecimento na praça

O ativista Raull Santiago é um dos que ajudaram a retirar os corpos da mata. “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, disse.

O objetivo do traslado dos corpos até a praça foi facilitar o reconhecimento por parentes. Moradores os deixaram sem camisa para agilizar esse processo, a fim de deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença. Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado.

Depois, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial ocorre no prédio do Detran localizado ao lado do Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio, a partir das 8h.

Nesse período, o acesso ao IML está restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.

Mais cedo, moradores também transportaram seis corpos em uma Kombi para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. O veículo chegou em alta velocidade e saiu rapidamente do local.

Redação

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