Nordeste poderá receber mais de R$ 70 bilhões em investimentos para ampliar transporte de média e alta capacidade

Estudo do BNDES e do Ministério das Cidades aponta potencial para expansão de metrôs, VLTs e corredores de BRT elétrico em oito regiões metropolitanas, com destaque para a Região Metropolitana do Recife, que reúne seis projetos validados

Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é um dos modais predominantes nas propostas para a mobilidade do País. No NE também – Divulgação

O Nordeste brasileiro é uma das regiões do País que poderá ser bastante beneficiada com os projetos em parceria com a iniciativa privada para transformar o transporte público de média e alta capacidade. As propostas podem atrair mais de R$ 70 bilhões em investimentos. Pelo menos é o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido pelo BNDES e o Ministério das Cidades.

O ENMU aponta que oito regiões metropolitanas nordestinas – com destaque para a Região Metropolitana do Recife, que tem seis projetos validados – possuem potencial para modernizar e expandir suas redes de transporte de média e alta capacidade. O plano busca reconfigurar o cotidiano de milhões de passageiros através da ampliação de sistemas metroferroviários (VLTs e metrôs) e da implementação de corredores rápidos integrados a matrizes elétricas (BRTs elétricos).

Dentro do panorama regional, polos estratégicos como Recife (PE), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) concentram os maiores volumes de aportes previstos para a infraestrutura de massa. O mapeamento estruturado pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades foca na transição para modais sustentáveis, visando atender à projeção de demanda para os próximos 30 anos. No Nordeste, assim como no País, os investimentos buscam reduzir tempos de viagem e aumentar o acesso de áreas periféricas a oportunidades de emprego e serviços.

MOBILIDADE DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE TEM SEIS PROJETOS

Divulgação/Prefeitura
BRTs elétricos são um dos modais mais presentes nos projetos – Divulgação/Prefeitura

Em Pernambuco, a Região Metropolitana do Recife (RMR) destaca-se com um pacote de seis projetos estratégicos que visam mais que dobrar a malha atual, saindo de 68 km para 150 km de extensão. Com investimentos estimados entre R$ 8,96 bilhões e R$ 18,17 bilhões, seria possível modernizar o transporte público para atender a 1,42 milhão de usuários por dia.

O planejamento para a RMR inclui cinco novos corredores com flexibilidade para operar como BRT elétrico ou VLT. Entre as intervenções de maior extensão, destacam-se a ligação entre Igarassu e Joana Bezerra, com 35,4 km, e o trajeto entre o Terminal Integrado de Abreu e Lima e Cajueiro Seco, com 30,6 km. Além disso, o sexto projeto prevê a requalificação integral das linhas atuais do Metrô do Recife e dos trens urbanos a diesel, integrando o sistema à concessão privada que já está em andamento.

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Plano Nacional de Mobilidade Urbana – Arte
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Projetos de Mobilidade para a RMR – Arte

Os benefícios para o passageiro pernambucano são substanciais, com previsão de redução de até 22% no tempo médio de viagem e o aumento da demanda em até 30%. Do ponto de vista operacional, a eliminação de sobreposições de itinerários e a troncalização das linhas podem reduzir os custos do sistema em até 20%. A modernização também engloba sistemas de bilhetagem eletrônica interoperáveis, garantindo maior transparência e sustentabilidade financeira ao transporte público estadual no longo prazo.

PANORAMA NACIONAL APONTA INVESTIMENTOS DE R$ 430 BILHÕES

Divulgação/CTM
RMR tem seis projetos validados de corredores de BRT elétrico, VLTs e a concessão do Metrô do Recife, que beneficiariam 1,42 milhão de passageiros – Divulgação/CTM

Em uma perspectiva nacional, os projetos do Nordeste estão inseridos em um ambicioso plano que mapeou 187 intervenções em 21 regiões metropolitanas brasileiras. O investimento total estimado para o País atinge a marca de R$ 430 bilhões, priorizando modais de baixa emissão de poluentes, como metrôs, trens e ônibus elétricos. No total, o plano projeta a expansão de mais de 3 mil quilômetros de trilhos e faixas exclusivas em todo o território nacional.

O modelo de viabilização financeira dessas obras baseia-se em parcerias público-privadas (PPPs), onde o setor público contribui com 80% do aporte e a iniciativa privada com os 20% restantes. Nacionalmente, estima-se que essas intervenções gerem aproximadamente 1,3 milhão de postos de trabalho por ano durante sua fase de implantação. Os anos de 2026 e 2027 serão dedicados à estruturação técnica e jurídica das propostas para atrair o interesse de investidores e garantir a viabilidade financeira.

Além do ganho em mobilidade, o plano nacional carrega um legado ambiental ao evitar a emissão de 3 milhões de toneladas de gás carbônico anualmente ao longo de três décadas. Com um horizonte de execução de 15 anos, o Brasil espera prevenir milhares de mortes no trânsito e devolver tempo de vida aos cidadãos que dependem do transporte coletivo. Essa transformação urbana consolida uma nova diretriz para as metrópoles brasileiras, focada em eficiência, segurança e sustentabilidade.

Redação

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