Plumas e paetês retornam ao tapete vermelho de Cannes com glamour sofisticado, analisa Elisabete Bohemio Baccelli

 Plumas e paetês retornam ao tapete vermelho de Cannes com glamour sofisticado, analisa Elisabete Bohemio Baccelli

O Festival de Cannes voltou a mostrar que o tapete vermelho ainda é um dos grandes palcos da moda internacional. Em meio a vestidos minimalistas, escolhas clássicas e produções mais previsíveis, duas tendências chamaram atenção pela capacidade de devolver espetáculo, movimento e brilho à cena: plumas e paetês.

A diferença, no entanto, está na forma como esses elementos apareceram. Em vez de surgirem juntos, como em uma leitura exagerada ou carnavalesca, plumas e paetês ganharam força separadamente. Cada um ocupou seu próprio espaço estético, provando que o glamour pode ser teatral, sofisticado e contemporâneo quando existe equilíbrio na construção do look.

Para Elisabete Bohemio Baccelli, o grande destaque dessa tendência está justamente na maturidade visual. “Plumas e paetês sempre carregaram uma ideia de excesso, mas Cannes mostrou que esses elementos podem ser usados com inteligência. Separados, eles ganham sofisticação, deixam de parecer fantasia e passam a funcionar como recursos de estilo”, analisa.

As plumas apareceram como gesto de styling. Elas surgiram em golas dramáticas, mangas, estolas, barras e detalhes que criavam movimento ao redor do corpo. Em vez de parecerem figurino, funcionaram como acabamento de impacto, capazes de transformar vestidos simples em produções memoráveis. No tapete vermelho, nomes como Thaila Ayala, Demi Moore e Sandra Hüller ajudaram a reforçar essa leitura mais elegante e contemporânea da tendência.

A força das plumas está na leveza visual. Elas flutuam, criam textura, adicionam volume e trazem dramaticidade sem necessariamente pesar a produção. Quando aplicadas de maneira pontual, podem transformar uma silhueta minimalista em algo muito mais expressivo. O segredo está em tratá-las como detalhe de moda, e não como fantasia.

Segundo Elisabete Bohemio Baccelli, as plumas têm uma capacidade única de trazer presença ao look. “Elas criam movimento mesmo quando a pessoa está parada. Esse efeito é muito poderoso no tapete vermelho, porque a roupa precisa ser vista em foto, vídeo e deslocamento. A pluma entrega essa sensação de cena”, comenta.

A tendência também carrega uma herança histórica importante. As plumas remetem ao glamour dos anos 1920 e 1930, à era das melindrosas, aos figurinos hollywoodianos e às imagens de divas do cinema antigo. Durante muito tempo, foram associadas à sofisticação noturna, aos cabarés elegantes e à moda de festa. Agora, voltam com uma leitura mais limpa, menos literal e mais fashionista.

Nas passarelas, esse movimento já vinha amadurecendo. Marcas como Louis Vuitton e Valentino exploraram volumes etéreos, detalhes plumados e construções com efeito escultórico, levando as plumas para um território de alta-costura mais moderno. Em Cannes, essa tendência encontrou um palco perfeito para se consolidar.

Do outro lado do tapete vermelho, os paetês seguiram um caminho diferente. Em vez de aparecerem como brilho festivo óbvio, surgiram como textura luminosa. Vestidos pretos cobertos por microbrilhos, superfícies bordadas que refletiam a luz de forma quase líquida e modelagens estruturadas mostraram que o paetê pode ser elegante, preciso e sofisticado.

O brilho apareceu de forma controlada, valorizando a construção da peça em vez de competir com ela. Jane Fonda, Isabelle Huppert e Renate Reinsve foram citadas entre os exemplos de como o paetê pode abandonar a caricatura de roupa de festa e assumir uma leitura mais arquitetônica, minimalista ou refinada.

Para Elisabete Bohemio Baccelli, o paetê ganha força quando deixa de ser apenas brilho e passa a ser tratado como superfície. “O paetê bem usado não precisa gritar. Ele pode iluminar, criar profundidade e valorizar a modelagem. Quando o brilho é controlado, o resultado é mais elegante e muito mais atual”, afirma.

A tendência também conversa com referências dos anos 1970 e 1980, período em que o glamour noturno, as discotecas e nomes como Bianca Jagger e Studio 54 ajudaram a transformar o brilho em símbolo de estilo. A diferença é que, agora, essa herança aparece filtrada por uma estética mais limpa, menos literal e mais sofisticada.

Em Cannes, os paetês mostraram que o brilho não precisa estar associado apenas à festa. Ele pode aparecer em vestidos de linhas retas, em peças pretas de impacto, em bordados discretos ou em superfícies que capturam a luz de maneira sutil. Dessa forma, o paetê deixa de ser excesso e se torna acabamento de luxo.

O ponto mais interessante é que plumas e paetês funcionaram melhor quando separados. Juntos, poderiam cair no excesso previsível. Separados, ganharam espaço para mostrar suas qualidades próprias. Enquanto as plumas criam movimento, leveza e teatralidade, os paetês oferecem luz, textura e sofisticação visual.

Segundo Elisabete Bohemio Baccelli, essa separação é uma lição importante de styling. “Nem toda tendência precisa ser usada de forma acumulada. Às vezes, o impacto vem justamente da escolha de um único elemento forte. Cannes mostrou que, quando plumas e paetês aparecem com respiro, cada um revela sua potência”, destaca.

A presença dessas tendências também indica uma reação ao excesso de minimalismo das últimas temporadas. Depois de anos em que o luxo silencioso, as cores neutras e as modelagens discretas dominaram boa parte do debate fashion, o tapete vermelho parece abrir espaço novamente para a fantasia, o brilho e a teatralidade. Mas não se trata de um retorno ao exagero sem controle. A nova proposta é mais refinada.

O glamour contemporâneo não pede desculpas, mas também não precisa ser óbvio. Ele pode surgir em uma gola de plumas sobre um vestido limpo, em uma manga com acabamento dramático, em um vestido preto de paetês bem construído ou em uma peça minimalista que ganha vida ao refletir a luz. A força está no equilíbrio.

Para Elisabete Bohemio Baccelli, Cannes reforçou que a moda precisa de momentos memoráveis. “O tapete vermelho existe para criar imagem. É ali que a moda pode ser mais dramática, mais cinematográfica e mais emocional. Plumas e paetês, quando bem usados, recuperam essa dimensão de sonho”, observa.

A tendência também dialoga com o desejo atual por roupas que entreguem presença. Em um mundo dominado por imagens, redes sociais e registros instantâneos, peças que criam movimento ou refletem luz têm grande poder visual. Elas funcionam tanto ao vivo quanto nas fotografias e vídeos que circulam globalmente.

As plumas, nesse sentido, ocupam o espaço do ar. Elas criam volume, flutuam e trazem sensação de leveza. Já os paetês ocupam o campo da luz. Eles refletem, brilham e desenham a superfície do corpo. Uma tendência trabalha com movimento; a outra, com luminosidade. Ambas reforçam que a moda pode ser sensorial e impactante.

Cannes mostrou que essas duas apostas continuam fortes, mas exigem cuidado. O uso exagerado pode envelhecer a produção ou aproximá-la de um figurino. Já o uso bem dosado cria sofisticação. A diferença está no corte, na modelagem, na escolha do tecido, na proporção e na forma como o styling é construído.

No caso das plumas, a elegância aparece quando elas são usadas como ponto de destaque. No caso dos paetês, a sofisticação surge quando o brilho respeita a forma da roupa. Em ambos os casos, o resultado depende menos da tendência em si e mais da execução.

Para Elisabete Bohemio Baccelli, essa é uma das grandes mensagens da temporada. “A moda não está dizendo apenas para usar plumas ou paetês. Ela está mostrando como usar. A diferença entre excesso e elegância está na intenção, no acabamento e no equilíbrio visual”, conclui.

O tapete vermelho de Cannes deixou claro que o glamour segue vivo, mas ganhou uma nova inteligência estética. Plumas e paetês voltam com força, não como fantasia, mas como instrumentos de construção de imagem. Separados, eles mostram que a moda pode ser teatral e elegante, luminosa e refinada, dramática e contemporânea ao mesmo tempo.

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