PMs são punidos por atuarem como motoristas de Deolane Bezerra em Pernambuco

Sindicância apontou que dois policiais militares transportaram a influenciadora armados durante deslocamentos por cidades pernambucanas em 2024

Deolane Bezerra foi presa na Operação Integration, em setembro de 2024 – GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM

Informações do JC

Após dois anos de investigação, dois policiais militares de Pernambuco foram punidos com detenção por atuarem como motoristas da influenciadora Deolane Bezerra. A descoberta da irregularidade foi feita após a prisão dela no Recife, em 4 de setembro de 2024, por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada à prática de jogos de azar

A coluna Segurança teve acesso com exclusividade ao relatório da sindicância administrativa disciplinar que apurou o exercício de atividade irregular de segurança privada para a influenciadora. 

De acordo com os autos, o 2º sargento Eduardo de Miranda Mendes, do 19º Batalhão da PMPE, e o 3º sargento Willney Bezerra Matias de Silva, do Batalhão de Polícia Rodoviária, atuaram portando armas de fogo no deslocamento de Deolane Bezerra para várias cidades pernambucanas, em vários dias e horários – inclusive de madrugada. 

No dia da deflagração da Operação Integration, com a prisão de Deolane, os dois PMs foram conduzidos para o Departamento Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), no bairro de Afogados, Zona Oeste do Recife, onde confirmaram que dirigiam para a influenciadora. 

No interrogatório, o PM Eduardo afirmou que o marido de uma prima de Deolane o convidou para “dar um apoio” nos deslocamentos da influenciadora.

“Declarou que aceitou o convite porque tinha o intuito de fazer ‘networking’ para ajudá-lo em promoções futuras, mas alega que não recebeu nenhum tipo de pagamento”, citam os autos da investigação. 

Willney declarou que também não recebeu dinheiro pelo trabalho e deu justificativa semelhante ao colega de farda. “O interrogado vislumbrou, nesse ‘apoio’, a oportunidade de fazer ‘networking’, ao conhecer pessoas que poderiam lhe ajudar em sua carreira profissional”, apontou o relatório da sindicância. 

O PM confirmou que portava arma de fogo pertencente à corporação nos deslocamentos.

A defesa dos militares argumentou, na sindicância, que ambos portavam armas de fogo para defender suas vidas mesmo em dias de folga. 

PUNIÇÃO

A decisão pela punição dos policiais militares foi assinada pelo subcomandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Cláudio Ricardo Lopes.

No relatório final, o coronel pontuou que o fato de os PMs estarem armados durante o acompanhamento de Deolane “permite inferir que, se fosse necessário, eles se utilizariam de força letal para proteger as pessoas que transportavam, bem como seus respectivos bens”.

“Para caracterizar exercício irregular de segurança privada, não é necessário que haja remuneração, pois o fato dos policiais afirmar em que atuaram de forma ‘voluntária’, não afasta a natureza da atividade que, além de ferir a dedicação integral, compromete a imagem da Corporação”, disse, no documento.  

Sobre o argumento da defesa em relação ao porte de arma, o subcomandante destacou que “o direito ao porte de arma acautelada não é absoluto e deve ser exercido em conformidade com os normativos internos da Corporação. Nesse sentido, o militar que voluntariamente se coloca em situação de risco e utiliza arma da Corporação nesse contexto, faz uso de bem público fora das finalidades institucionais”. 

Ao 2º sargento Eduardo de Miranda foi determinada a punição de 25 dias de detenção. Já para o 3º sargento Willney Bezerra a punição foi de 30 dias. Ambos ainda podem apresentar recurso. 

DEOLANE ESTÁ PRESA EM SÃO PAULO

Dias após ser presa na Operação Integration, Deolane teve a liberdade concedida pela Justiça de Pernambuco. Mas, em maio de 2026, ela foi presa novamente em São Paulo sob a acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). 

A defesa da influenciadora, que continua presa preventivamente, nega as acusações. 

Redação

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