Polícia descarta toque de recolher no Recife e reforça segurança após mensagens espalharem medo em comunidades Moradores da Zona Norte relataram temor diante de ameaças de restrição de circulação à noite, enquanto polícias Civil e Militar investigam a origem das mensagens e classificam conteúdo como boato
Moradores da Zona Norte relataram temor diante de ameaças de restrição de circulação à noite, enquanto polícias Civil e Militar investigam a origem das mensagens e classificam conteúdo como boato

Informações do JC
Em meio ao pânico de moradores de várias comunidades da Zona Norte do Recife diante de mensagens exigindo toque de recolher diariamente a partir das 22h, representantes das polícias Civil e Militar anunciaram, nesta terça-feira (7), reforço de segurança nas localidades. E afirmaram que se trata de “boato” que a facção criminosa Comando Vermelho esteja ordenando que moradores não saiam às ruas.
Em coletiva à imprensa, o diretor de Planejamento Operacional da Polícia Militar, coronel Jonas Moreno, afirmou que a corporação averiguou o conteúdo da mensagem e concluiu que ela não é verdadeira.
“Inicialmente, para tranquilizar a população, a gente diz que isso é fake news. A gente averiguou e realmente não é verdade”, afirmou.
Apesar da afirmação do oficial da PM, o medo toma conta de comunidades com Saramandaia, localizada no bairro de Campo Grande. Lá, estudantes de escolas públicas relataram a professores o medo que ronda os turnos da noite e da madrugada por causa dos avisos que circulam pelo WhatsApp e pelas redes sociais.
De acordo com o oficial, equipes foram direcionadas para bairros como Campina do Barreto, Arruda e Campo Grande. A PM também informou que atua no monitoramento das áreas e mantém operações de combate ao crime organizado.
O coronel Jonas Moreno explicou que, após a circulação do conteúdo, o Grupamento de Apoio Tático Itinerante (GATI) foi deslocado para a região, além de uma guarnição de oficial e seis motocicletas para rondas em pontos estratégicos.
“Temos o GATI, temos um oficial também naquela área, uma guarnição de oficial. Temos também mais seis motos rondando ali na Saramandaia, naquele canal ali da Avenida Doutor José dos Anjos, ali perto do campo de Santa Cruz”, declarou.
Moreno destacou ainda que a região já vinha recebendo operações de segurança com foco no combate ao crime organizado. Segundo ele, a ação resultou em apreensões de drogas e armas.
“A gente está atento, está monitorando, está fazendo o trabalho ordinário de policiamento, fazendo rondas. Isso vem transmitindo cada vez mais uma sensação de segurança maior para a população”, afirmou.
Polícia Civil investiga origem das publicações
A Polícia Civil informou que iniciou levantamentos para identificar a origem das mensagens e possíveis responsáveis pela divulgação do conteúdo. Segundo o diretor da Diretoria Integrada Especializada (Diresp), Ivaldo Pereira, a corporação acompanha esse tipo de ocorrência por meio dos setores de inteligência e investigação especializada.
“A internet deixa rastros, e a gente tem como chegar. A gente já vem direcionando ações desde a outra divulgação de fake news”, disse.
Segundo Pereira, pessoas que compartilham informações sem intenção de causar danos terão a conduta avaliada de forma diferente daqueles que utilizam o conteúdo para provocar medo ou obter algum tipo de vantagem.
Caso seja identificada relação com organizações criminosas, os envolvidos poderão ser investigados por outros crimes. Segundo a Polícia Civil, inicialmente, a divulgação de mensagens com objetivo de causar pânico pode ser analisada sob o crime de ameaça.
As polícias Militar e Civil orientaram os moradores a evitar o compartilhamento de mensagens sem confirmação.
“A população pode seguir sua rotina em alerta e, qualquer problema em relação a qualquer ponto que eles percebam diferente, é acionar o 190.”

