Pontos de Cultura de Pernambuco ganham projeto para fortalecer articulação em rede Rede em Ponto será lançado neste domingo (23), em Águas Belas, com formações, intercâmbio entre coletivos culturais e ações voltadas à economia criativa, patrimônio e Política Nacional Cultura Viva
Rede em Ponto será lançado neste domingo (23), em Águas Belas, com formações, intercâmbio entre coletivos culturais e ações voltadas à economia criativa, patrimônio e Política Nacional Cultura Viva
A diversidade cultural que nasce e se mantém nas comunidades pernambucanas vai ganhar uma nova forma de conexão. Neste domingo, dia 23 de agosto, será lançado o Rede em Ponto, iniciativa criada para aproximar e fortalecer Pontos de Cultura de diferentes regiões do estado. A primeira parada será em Águas Belas, no Agreste, a partir das 8h, no Ponto de Cultura Fulni-ô Xixiaklá, dentro da programação do Mês do Patrimônio. O projeto conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB-PE), por meio da Política Nacional Cultura Viva, do Ministério da Cultura, e abre uma caminhada que reúne indígenas, artesãos, artistas, mestres e brincantes responsáveis por manter vivas diferentes tradições de Pernambuco.
A iniciativa atende a uma necessidade comum entre essas organizações: estar mais perto umas das outras. Cada uma já desenvolve trabalhos em seu território e mantém uma relação direta com a população local. A partir de agora, elas passam a contar com uma articulação organizada para compartilhar experiências, participar de cursos, aprender a elaborar propostas e buscar novas oportunidades. O Rede em Ponto será itinerante. Depois de Águas Belas, seguirá até o fim do ano por outras partes de Pernambuco, levando as formações para perto de quem preserva saberes, produz arte e movimenta a vida cultural das cidades.
A primeira formação reúne seis organizações. Participam a Associação dos Filhos e Amigos de Vicência (AFAV), Pontão de Cultura da região do Vale do Siriji; o Cavalo Marinho Estrela de Ouro, de Condado; o Daruê Malungo, do Recife; o Mulheres Artesãs Flor do Barro, de Caruaru; o Centro de Criação Galpão das Artes, de Limoeiro; e a Associação de Desenvolvimento Comunitário e Cultural Indígena Fulni-ô e Xixiaklá, de Águas Belas. Esse mapa liga a Mata Norte, a Região Metropolitana e diferentes áreas do Agreste, colocando na mesma roda experiências indígenas, negras, populares, artesanais e das artes cênicas.
O percurso também alcança municípios com realidades sociais diferentes. Na classificação usada pela Rede Estadual de Pontos de Cultura, Recife aparece na faixa de IDH alto; Caruaru, Condado, Limoeiro e Vicência estão na faixa média; e Águas Belas, escolhida para receber o lançamento, aparece na faixa de IDH baixo. O IDH é um indicador que ajuda a medir as condições de desenvolvimento da população. A classificação tem como referência o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, com informações dos Censos de 1991, 2000 e 2010. Os números ajudam a mostrar a importância de ampliar formação, acesso às políticas públicas e oportunidades nos diferentes territórios.
Os Pontos fazem parte de uma política pública brasileira criada há mais de 20 anos. O Cultura Viva surgiu no Governo Federal em 2004 e tornou-se política de Estado em 2014. Na prática, reconhece organizações e coletivos que já desenvolvem ações artísticas dentro das localidades onde vivem e atuam. Música, dança, teatro, artesanato, memória, tradições populares e saberes indígenas estão entre as muitas áreas alcançadas. Os Pontões, por sua vez, também têm a missão de aproximar essas experiências e promover ações conjuntas, papel que a AFAV assume nesta nova articulação.
É justamente essa união que começa a ser formalizada em Pernambuco. Uma experiência desenvolvida em Vicência poderá dialogar com outra de Águas Belas, Recife, Caruaru, Condado ou Limoeiro. Um coletivo pode compartilhar como organiza suas ações; outro, ensinar como preserva seu acervo; enquanto outro apresenta caminhos para elaborar propostas e acessar recursos. Essa troca está entre os princípios da Política Nacional Cultura Viva, que incentiva a colaboração, o intercâmbio e a aproximação entre organizações para ampliar a autonomia de quem atua nos territórios.
A articulação também olha para a produção artística como fonte de trabalho e renda. Uma peça feita pelas mulheres artesãs, uma apresentação de cavalo-marinho, uma oficina, um figurino ou um instrumento movimentam pessoas, serviços e recursos dentro das próprias cidades. São exemplos dos arranjos produtivos culturais ligados à economia criativa. Ao mesmo tempo, essas práticas ajudam a preservar o patrimônio material, presente em espaços, objetos e acervos, e o imaterial, encontrado nas festas, danças, músicas, conhecimentos e modos de fazer transmitidos entre gerações. A Política Nacional Cultura Viva reconhece essas dimensões e incentiva as economias criativa e solidária.
Em Águas Belas, o primeiro encontro começa às 8h, com Yara Cruz, representante do Ponto de Cultura Fulni-ô Xixiaklá, seguida de apresentação do Grupo Cultural Indígena Ponto de Cultura Fulni-ô. Joana D’Arc Ribeiro apresenta o Comitê de Cultura em Pernambuco, programa mantido pelo Ministério da Cultura no estado, e o Rede em Ponto. Às 10h, participa o historiador Vanderlan Matos de Freitas. Depois, Juçara conduz um curso de elaboração de projetos culturais, das 10h30 às 17h, com intervalo para almoço. Águas Belas abre, assim, um percurso que seguirá por Pernambuco aproximando territórios, compartilhando conhecimentos e criando novas possibilidades para quem mantém viva a identidade cultural do estado.
Serviço
O quê: Pontos de Cultura de Pernambuco ganham projeto de fortalecimento e articulação em rede
Quando: domingo, 23 de agosto, a partir das 8h
Onde: Ponto de Cultura Fulni-ô Xixiaklá, Águas Belas (PE)
Programação: 8h às 17h, com apresentação cultural, lançamento do projeto e formação em elaboração de projetos culturais
Quanto:: aberta ao público
Mais informações: www.instagram.com/pontao_afav