Retomada da Transnordestina em Pernambuco será desafio para próximo governo e bancada federal

Obras dependem do cumprimento de exigências do TCU, articulação com o Ministério dos Transportes e avanço de estudos e licenças para definir a chegada ao Porto de Suape

Transnordestina em Pernambuco deve ter como estratpegia ser o destino ferrovia Norte-Sul no Maranhão. – Divulgação

Informações do JC

Independentemente de qual seja o próximo chefe do governo de Pernambuco, a questão da retomada das obras da ferrovia Transnordestina está na lista de tarefas a serem cumpridas no novo mandato, assim como será uma pauta à qual os novos deputados e senadores não poderão se furtar a fazer dela base sua ação parlamentar.

E todos sabendo que não contarão com a boa vontade do Tribunal de Contas da União, que, como se vem observando, exerce uma de suas competências e prerrogativas de fiscalização para dificultar o andamento do processo de retomada.

Governadora Raquel Lyra recepcionou prefeitos no escritório de representação do governo na capital federal – Hesíodo Góes/Secom

Mais auditorias

Isso aconteceu durante este ano com a divulgação do resultado de uma auditoria que não apenas travou a possibilidade de retomada da obra como condicionou a análise da proibição de ordens de serviço dos trechos no estado de Pernambuco a um pacote de exigências entre elas um novo Estudo de Viabilidade Técnica e Ambiental.

Isso põe na mesa do próximo chefe do Executivo pernambucano a missão de, primeiro, fechar uma parceria com o Ministério dos Transportes para o atendimento das exigências técnicas e burocráticas do projeto e a entrega de documentos e licenças ambientais pelo governo do Estado, por órgãos federais e por órgãos como IBAMA e IPHAN nos trechos de chegada a Suape que ainda não foram definidos.

Ação parlamentar

Entretanto, também põe nas mesas dos senhores parlamentares a tarefa de articular politicamente o destravamento do processo junto ao TCU, que, como se sabe, está firmemente empenhado em determinar que a obra só será liberada após o atendimento de todas as exigências que seus técnicos e ministros decidirem.

Isso vai exigir atuação permanente do governador ou da governadora na articulação com o novo chefe do Ministério dos Transportes e com o próprio presidente e sua equipe, de modo a fazer valer a proposta de reconectar Pernambuco ao projeto que está a caminho do Porto do Pecém (CE), mas com uma nova visão estratégica.

Projetos ferroviários serão enviados ao TCU – Elvis Aleluia/ Sudene

Trem nos trilhos

Colocar Pernambuco de novo nos trilhos da Transnordestina precisa ser feita não apenas a saída do porto de Suape ao destino da ferrovia no Piauí. O destino não pode ser apenas Eliseu Martins, mas o encontro com a Ferrovia Norte-Sul.

Esse deve ser o novo discurso de Pernambuco que pode atrair a força do Piauí e do Maranhão com suas novas fronteiras agrícolas. A Transnordestina não pode ser vista apenas como uma linha que conecta os portos de Suape e Pecém com interesses diferentes. O projeto ganha força política e estratégia se mirar sua conexão com o Norte-Sul no entroncamento com a cidade de Estreito.

Missão de governo

Mas essa não será missão apenas para governadores, mesmo dos três estados envolvidos. Precisa juntar mais gente, esforços e energia. Até porque se for apenas para ter um trem para chegar ao interior do Piauí em Eliseu Martins, será bem mais difícil sustentar um modelo de negócio que a viabilize como projeto estruturador do Nordeste.

Pernambuco precisa voltar a pensar o nosso desenvolvimento não apenas como ação competitiva de cadeiras estaduais, mas como trabalho desse esforço dentro de uma ação regional. O que naturalmente ajuda a potencializar a ação política no Congresso e junto ao governo federal.
Desde que a nossa bancada também pense dessa forma.

Redação

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