Sem novos trens, Linha Sul do Metrô do Recife pode parar em 2027, alerta CBTU

Companhia aposta na transferência emergencial de composições usadas de outros estados para evitar colapso parcial do sistema

Trens usados, mesmo sem ar-condicionado, vão evitar o fechamento da Linha Sul – JC Imagem

Informações do JC

O envio de trens usados e sem ar-condicionado dos sistemas de Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS) – que já sofreu o terceiro atraso e vem sendo criticado – é a única esperança para que o Metrô do Recife não sofre uma paralisação parcial da operação. E já a partir de 2027. A paralisação seria de toda a Linha Sul, que conecta a Zona Sul da Região Metropolitana do Recife ao centro da capital.

Segundo a CBTU Recife, sem o reforço imediato de composições usadas vindo de outros estados, o sistema pode deixar de operar ou funcionar de forma extremamente precária entre os meses de março e abril do próximo ano. O gerente de operações da companhia, José Innocêncio, destaca que a transferência de veículos é vital, uma vez que a fabricação e entrega de novos trens demandaria um prazo de dois a três anos, tempo que a estrutura atual não suportaria operar.

“Garantir esses trens foi o jeito encontrado para manter a operação”, explica o gestor, reforçando que o remanejamento das unidades de Belo Horizonte e da Trensurb (Porto Alegre) foi a alternativa possível diante do cenário de colapso iminente.

URGÊNCIA SE SOBREPÕE À AUSÊNCIA DE AR-CONDICIONADO

Innocêncio argumenta que a urgência da situação se sobrepõe ao conforto térmico imediato, justificando que a escolha pelos trens usados, mesmo sem ar-condicionado, é a única forma de garantir que o passageiro tenha transporte até que o governo federal e o Estado de Pernambuco consigam avançar com a concessão privada do sistema.

Para o diretor, a medida é um socorro emergencial necessário para um sistema que sobrevive com equipamentos datados de 1985 e que sofreu uma redução histórica de investimentos federais na última década – há pelo menos dez anos o Metrô do Recife opera com pouco mais da metade do orçamento de custeio necessário.

A viabilização deste plano depende da chegada de novos trens chineses em Belo Horizonte para que as unidades mineiras sejam liberadas, enquanto a Trensurb aguarda o repasse de recursos do governo federal para enviar seis veículos ao Recife.

“A Comporte já está autorizada a mandar os trens assim que o convênio for estabelecido”, afirmou Innocêncio, embora ressalte que precisar uma data exata para a chegada ainda é uma medida cautelosa.

SISTEMA DE VENTILAÇÃO SUBSTITUIRÁ AR-CONDICIONADO NOS VAGÕES

Embora não possuam refrigeração artificial, os 11 trens seminovos contarão com um sistema de ventilação projetado para reduzir o calor típico da Região Metropolitana do Recife. José Innocêncio garante que a estrutura técnica dessas composições é melhor do que a que se tinha antes, referindo-se ao período anterior à instalação de aparelhos de ar-condicionado no sistema antigo.

“As composições são equipadas com quatro saídas de ventilação com ventiladores distribuídos no salão e janelas pequenas do tipo “bandeira”, que permitem a circulação constante de ar”, explica o gerente da CBTU Recife. “Diferente dos modelos atuais, que são totalmente vedados e dependem da climatização artificial, esses trens permitem uma troca de ar natural, sendo uma solução técnica superior para veículos sem ar-condicionado”, reforça.

ATRASOS LOGÍSTICOS E O FUTURO DA CONCESSÃO

Apesar da necessidade crítica de reforço na frota, a chegada das primeiras unidades seminovas já sofreu o terceiro atraso consecutivo devido a questões logísticas no transporte. Inicialmente previstas para fevereiro deste ano, as entregas foram remarcadas para o período entre o final de abril e meados de maio.

Este processo de recebimento de trens usados funciona como uma etapa de transição para a futura Parceria Público-Privada (PPP), que prevê um leilão de concessão em dezembro de 2026. O projeto definitivo de modernização estima um aporte de R$ 4 bilhões da União e a aquisição de 22 trens novos e devidamente refrigerados, mas que só devem ser entregues integralmente em um prazo de até cinco anos após a assinatura do contrato com a iniciativa privada.

Redação

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