Sétimo dia de greve dos metroviários é marcado por transtornos e superlotação dos ônibus na RMR

Até o momento, a paralisação não parece ter uma previsão para chegar ao fim
 Sétimo dia de greve dos metroviários é marcado por transtornos e superlotação dos ônibus na RMR

A greve dos metroviários chega ao sétimo dia nesta quinta-feira (17) e não parece ter uma previsão para terminar. Assim, enquanto a categoria e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) não conseguem chegar a um acordo, passageiros seguem reclamando de transtornos e superlotação do transporte público por ônibus.

No Terminal Integrado Joana Bezerra, área central do Recife, a reportagem da Folha de Pernambuco ouviu muitas reclamações dos usuários.

“Uma greve assim prejudica muito o trabalhador, né? É complicado, porque eu tenho que ir trabalhar e acabo chegando atrasado, isso sem falar dos ônibus sempre lotados, todo mundo agarrado… Tá sendo muito difícil mesmo”, revelou Odemir José, pedreiro de 44 anos, que tenta chegar ao seu trabalho na manhã desta quinta.

Ainda assim, apesar da insatisfação com a greve, o homem também se posicionou a favor da categoria dos metroviários, que busca melhoria nos seus direitos e politicas trabalhistas: “Eu estou sendo prejudicado pela greve, mas também não vou condenar o pessoal que trabalha no metrô. Eles estão correndo atrás dos direitos deles, e isso é justo. Mas a definição tem que vir rápido porque, seguindo assim, vai dificultar a vida de todo mundo”, pontuou.

A dona de casa Fabiana Luísa, 41 anos, revelou que, por mais que não use metrô no dia a dia, a greve está afetando o sistema de ônibus. “Eu não uso metrô, pego mais ônibus. É complicado porque, às vezes, os ônibus tão vindo mais cheios, lotados, e isso não ajuda na locomoção”, destacou.

A empregada doméstica Maria de Lurdes, 69 anos, precisa se deslocar todos os dias de Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, onde mora, para Boa Viagem, também na Zona Sul, onde trabalha, e, por isso, não utiliza metrô. Mas, ainda assim, se sente prejudicada com a greve.

“Eu também não pego metrô, mas tenho que pegar ônibus todos os dias e eles estão cada vez mais cheios, sabe? Eu tenho que me espremer pra entrar às vezes, então isso dificulta o meu trajeto”, afirmou.

Apesar de se sentirem prejudicadas, no entanto, ambas divergem nos posicionamentos quanto à greve. Enquanto Fabiana acha que a paralisação tem que acabar, Lurdes dá razão à categoria.

“A greve tem que acabar o mais rápido possível, todos estamos sendo prejudicados. Metrô e ônibus precisam rodar o tempo inteiro, não podem parar. Não pode ter greve”, afirmou Fabiana Luísa.

“Eu acho que os trabalhadores têm direitos de correr atrás dos seus direitos, né? É difícil falar que a greve tem que parar e o metrô voltar porque eu tenho meu emprego certinho, recebo em dia… Não posso reclamar de quem está lutando pelos seus direitos”, divergiu Maria de Lurdes.

Negociação
A paralisação dos metroviários parece não ter um fim previsto. Apesar da condenação do Tribunal Regional do Trabalho da 6° Região (TRT-6) de pagamento de R$ 60 mil de multa diária para a categoria por não disponibilizar o serviço durante os horários de pico, não há uma previsão para funcionamento do transporte público ou para acordo entre as partes.

A reportagem entrou em contato tanto com o TRT-6 quanto com o sindicato e com a CBTU, que confirmaram que, até o momento, não há nenhuma audiência marcada para apresentação de propostas novas visando a uma conciliação. Nesta quinta, a categoria, que foi em caravana para Brasília, pretende fazer uma pressão maior no Governo Federal, em busca de resolução mais rápida.

Dentre as reivindicações da categoria, está reajuste salarial, além de melhorias na jornada de trabalho e a retirada da CBTU do Programa Nacional de Desastatização (PND).

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