Verão exige cuidados redobrados com a hidratação da população idosa Temperaturas acima da média aumentam riscos de desidratação entre idosos, que demandam atenção especial de familiares e cuidadores.
Temperaturas acima da média aumentam riscos de desidratação entre idosos, que demandam atenção especial de familiares e cuidadores.
Foto: Divulgação
O verão de 2025 começou trazendo um alerta importante para a saúde dos brasileiros, especialmente da população idosa. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que o trimestre de janeiro, fevereiro e março de 2026 deve apresentar temperaturas acima da média histórica em praticamente todas as regiões do Brasil, repetindo o padrão observado no verão anterior, que foi o sexto mais quente no Brasil desde 1961.
Para a população com mais de 60 anos, essas condições climáticas representam riscos significativos à saúde. A vulnerabilidade da população idosa ao calor extremo está relacionada a mudanças naturais do envelhecimento. Especialistas explicam que ocorrem alterações na regulação da temperatura corporal, com menor resposta à transpiração e redução da capacidade de resfriamento do organismo.
“Com o avanço da idade, a sensação de sede diminui, o que pode levar à ingestão insuficiente de líquidos e aumentar os riscos à saúde. Esse mecanismo comprometido torna a desidratação uma ameaça constante durante os dias mais quentes“, explica o geriatra Rodrigo Patriota, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seccional Pernambuco (SBGG-PE).
Sinais de alerta
A desidratação se manifesta com confusão mental, agitação, cansaço excessivo e sonolência, além de aumentar as chances de tonturas e quedas. Outros sintomas incluem diminuição da quantidade de urina, urina mais escura, boca e olhos secos, pele ressecada e mucosas pálidas. É fundamental estar atento a sinais como língua e lábios secos, alterações de comportamento, confusão mental, tontura e fadiga, pois tudo isso pode indicar que o idoso está desidratado.
Quanto de água é necessário?
De forma geral, recomenda-se a ingestão mínima de 30 ml de líquidos por quilo de peso corporal por dia. Em situações de calor intenso, a quantidade de água pode ser ajustada.
“Esse cálculo leva em consideração o peso corporal e a estimativa das perdas de líquidos ao longo do dia. É preciso repor tanto o que o organismo elimina pela urina quanto o que se perde pela transpiração. De forma geral, a recomendação média é de cerca de 30 ml de água por quilo de peso para a maioria das pessoas. No entanto, quem pratica atividade física, transpira mais ou fica muito exposto ao sol precisa aumentar essa reposição”, explica o geriatra Rodrigo Patriota.
Pessoas que precisam ter cuidado com o excesso de volume
O médico orienta que é preciso avaliar cada situação do idoso, principalmente os que apresentam alguma comorbidades.
“Em algumas situações, a ingestão de grandes volumes de líquidos não é indicada. Isso acontece, por exemplo, com pacientes que têm doenças específicas, como insuficiência renal em fases mais avançadas ou insuficiência cardíaca. Nesses casos, o consumo de água deve ser controlado e sempre orientado por um profissional de saúde, para evitar sobrecarga no organismo”, explica Rodrigo Patriota.
Hidratação supervisionada
Para idosos que vivem com familiares ou em instituições, o consumo de líquidos deve ser estimulado e acompanhado ao longo do dia. Quem vive sozinho deve criar uma rotina de hidratação com horários definidos e até mesmo manter uma garrafa com água sempre à mão.
Alimentação adequada
Alimentos ricos em água, como algumas frutas, podem ajudar. O ideal é dar preferência a refeições leves e de fácil digestão, evitando alimentos gordurosos e pesados.
“O único cuidado maior deve ser com a água de coco. Apesar de ser uma bebida natural, ela tem baixo teor de sódio e é rica em potássio. Por isso, não é a melhor opção para reidratação em algumas situações, já que o sódio é fundamental nesse processo. Além disso, por conter muito potássio, o consumo deve ser moderado, especialmente por pacientes com doença renal e por pessoas hipertensas que utilizam medicações capazes de aumentar os níveis de potássio no sangue”, explica o médico geriatra
Proteção solar
É fundamental não expor o idoso ao sol durante o horário de pico, entre 10h e 16h, além do uso de protetor solar com fator de proteção alto (FPS 30 ou superior) em todas as áreas expostas da pele. Roupas leves, claras e de tecido natural, como algodão, facilitam a transpiração.
Ambiente adequado
Manter o idoso em ambientes frescos e ventilados é fundamental. O uso de ventiladores ou ar-condicionado pode ajudar.
Quando procurar ajuda médica
Caso o idoso apresente sinais de desidratação severa, como confusão mental intensa, fraqueza extrema, ausência de urina ou desmaios, é fundamental procurar imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

