Vereador Eduardo Moura protocola pedido de impeachment contra João Campos por nomeação irregular de procurador

Parlamentar do Partido Novo aponta crime de responsabilidade e infração político-administrativa na reclassificação de candidato PCD em concurso público da Prefeitura do Recife.

 Vereador Eduardo Moura protocola pedido de impeachment contra João Campos por nomeação irregular de procurador Parlamentar do Partido Novo aponta crime de responsabilidade e infração político-administrativa na reclassificação de candidato PCD em concurso público da Prefeitura do Recife.

Foto: Reprodução

O vereador Eduardo Moura (Partido Novo) protocolou na Câmara Municipal do Recife um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB), alegando a prática de crime de responsabilidade e infração político-administrativa na nomeação de um novo procurador do município. O pedido tem como base a reclassificação e posterior nomeação de Lucas Vieira da Silva para uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD), fora da ordem original do concurso público.

De acordo com o vereador, o concurso foi homologado em junho de 2023, tornando seu edital equivalente a uma norma legal. No entanto, em 29 de maio de 2025, o candidato apresentou documentação solicitando reclassificação para a cota PCD — pedido que foi negado em decisões formais por três procuradoras concursadas do município, nos dias 3 e 23 de junho de 2025.

Apesar das negativas técnicas, o caso foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo de livre nomeação do prefeito, que autorizou a reclassificação do candidato em 20 de dezembro. Três dias depois, em 23 de dezembro, João Campos oficializou a nomeação de Lucas Vieira da Silva como procurador do Recife.

Segundo Eduardo Moura, o ato viola os artigos 57 e 59 da Lei Orgânica do Município do Recife, além do Decreto-Lei nº 201/1967, que tipifica como crime de responsabilidade a nomeação de servidor contra expressa disposição legal. O vereador também aponta possível enquadramento na Lei de Improbidade Administrativa, por frustração da imparcialidade e do caráter concorrencial do concurso público.

O parlamentar questiona ainda o fato de a vaga estar disponível desde outubro de 2024, após a aposentadoria de um procurador, sem que a nomeação tenha sido feita naquele momento. Para ele, a nomeação tardia e específica reforça a suspeita de favorecimento pessoal.

No pedido de impeachment, Eduardo Moura também relaciona o caso a fatos políticos e judiciais recentes, como a Operação Barriga de Aluguel, que investigou possíveis irregularidades na gestão municipal. O vereador defende que os elementos apresentados precisam ser apurados de forma independente pelas autoridades competentes.

Até o momento, o pedido de impeachment conta com 11 assinaturas de vereadores, incluindo parlamentares que integravam a base governista. Para que o processo seja admitido, são necessárias mais duas assinaturas. Eduardo Moura afirma que a continuidade do processo depende da pressão popular e da mobilização da sociedade civil e da imprensa.

Redação

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