Wenna Melo reforça visão humanizada e integrada da fisioterapia, aliando técnica, empatia e escuta ativa Profissional destaca trajetória marcada por acolhimento, autonomia do paciente e construção conjunta do processo terapêutico.
Profissional destaca trajetória marcada por acolhimento, autonomia do paciente e construção conjunta do processo terapêutico.

“Durante anos, vivi um laboratório vivo. Testei, questionei e refinei minha forma de enxergar o
movimento e o tratamento fisioterapêutico. Não queria apenas reabilitar corpos; queria
transformar vidas. Descobri que o verdadeiro impacto acontece quando o paciente deixa de
ser um receptor passivo e se torna protagonista do processo — e quando eu, como
profissional da reabilitação, aceito o papel de coadjuvante, porém um coadjuvante estratégico,
capaz de oferecer direção, conhecimento e segurança. Acredito que 80% da reabilitação
pertence ao paciente: é dele a decisão de se entregar, de se mover, de se permitir. Os outros
20% são meus, e eu os uso com responsabilidade absoluta: ciência, criatividade, empatia e
estratégia a serviço de uma nova vida“.
Aprendi a ouvir. Não só com os ouvidos, mas com os olhos, com as mãos, com a intuição. O
corpo fala. A mente sussurra. O espírito grita. É nessa escuta ativa que o movimento deixa de
ser repetição mecânica e se torna expressão de singularidade.
A vida me pedia mais, já não bastava dominar o movimento. Busquei mergulhar no estudo do
desenvolvimento humano: aprendi com a psicologia positiva sobre o poder de cultivar forças
internas, da interferência das crenças limitantes, estudei oratória para traduzir ideias
complexas em mensagens claras e mobilizadoras, explorei estratégias de persuasão não para
convencer, mas para transferir confiança às pessoas. Descobri que uma palavra bem colocada
pode abrir portas dentro de alguém que nem ele sabia que existiam.
Passei por mundos distintos. Vi o medo paralisar pacientes no pré-operatório de grandes
cirurgias como transplantes, acompanhei a vulnerabilidade de quem está preso a um leito de
terapia intensiva, e a ambição de quem busca alta performance. Em todos esses cenários,
percebi que o que eles precisavam primeiro não era do exercício certo, mas da confiança de
que é possível. E é nessa confiança que o movimento floresce. Escolhas são sempre difíceis,
mas elas nos libertam, deixei para traz o ambiente frio das UTIs, mas levei comigo tudo o que
ele me ensinou sobre urgência, prioridades e propósito. Hoje, meu compromisso é outro:
humanizar o que foi robotizado. Transformar a fisioterapia em algo leve, mas profundo;
técnico, mas vivo.
Com longas horas de estudos, reflexões, pesquisas e práticas deliberadas desenvolvi um
projeto chamado: “Fisioterapia compartilhada”, onde pacientes da enfermaria ,que não
estivessem em isolamento de contato, juntamente com seus acompanhantes poderiam
atravessar as barreiras físicas de quatro paredes de um quarto e irem se conectar a outros
pacientes e a outros acompanhantes através do movimento, da música em todas as etapas do
projeto, com diferentes ritmos, do trabalho cognitivo com tarefas duplas, circuitos
coordenativos, técnicas de mindfulness como respiração diafragmática e visualização guiada.
Tudo isso respeitando a singularidade de cada ser, seu diagnóstico, barreiras físicas e
emocionais. O sorriso e a troca de histórias, medos e expectativas solidificou ainda mais em
mim e no grupo de fisioterapeutas o poder do vínculo e do tecido da alma que nos conecta uns
aos outros.
“No fim, o que eu faço é ajudar cada pessoa a escrever a sua história de superação — e ter o
privilégio de fazer parte desse enredo, não como autora, mas como ponte. “Na dança entre
ciência e humanidade, faço do movimento um convite para viver melhor — e aceito esse
convite junto com cada pessoa que atendo.”
Wenna Bernardo Alves de Melo




