Comissão do Congresso derruba renovação automática da CNH e mantém exames médicos obrigatórios

Relator da MP do Bom Condutor altera texto original do governo e restabelece avaliação física e mental para renovação da carteira de motorista

A comissão mista do Congresso Nacional aprovou, nesta terça-feira (6/5), o parecer da Medida Provisória (MP) 1.327/25, trazendo uma mudança significativa em relação à proposta original do governo federal. O relator da matéria, senador Renan Filho, decidiu retomar a obrigatoriedade do exame de aptidão física e mental para a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A decisão representa uma derrota para o governo federal, que criou a MP do Bom Condutor – como é chamada – com o objetivo de desburocratizar o processo para condutores sem infrações registradas. E evidencia como a legislação de trânsito vem sendo usada como negociação política: o senador Renan Filho era o ministro dos Transportes e o principal fiador das mudanças.

Nos bastidores, sabe-se que a alteração no texto foi fruto de um intenso movimento da classe médica ligada ao trânsito brasileiro, preocupada com os impactos coletivos da dispensa médica de condutores. Originalmente, a MP previa a renovação automática e gratuita para motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), os chamados “bons condutores”, dispensando-os de avaliações médicas e psicológicas.

Com a nova redação, o Congresso reestabeleceu a necessidade do exame médico universal, cedendo aos argumentos de setores que defendem a avaliação periódica como medida de segurança no trânsito. Diversas entidades têm se colocado contra a eliminação dos exames médicos para quem vai renovar a CNH.

EXAMES, NO ENTANTO, SEGUEM COM TETO FIXADO

Decisão evidencia como a legislação de trânsito vem sendo usada como negociação política: o senador Renan Filho era o ministro dos Transportes e o principal fiador das mudanças – Ricardo Stuckert

Apesar da volta dos exames médicos, foi mantido no texto da MP a criação de um teto nacional para o valor dos exames médicos e psicológicos. O governo fixou esse limite em R$ 180, visando reduzir os custos que anteriormente chegavam a ultrapassar R$ 400 em algumas regiões.

No entanto, o novo texto determina que esse valor seja atualizado anualmente com base no IPCA, o que garante que o preço acompanhe a inflação, mas impede cobranças abusivas de forma imediata.

O QUE MUDA COM A DECISÃO DO CONGRESSO

Na prática, o que saiu da MP foi a possibilidade de renovação automática sem a ida ao médico (exames médicos e psicológicos), encerrando a dispensa generalizada de exames que o governo tentava implementar.

Mas o texto aprovado manteve pontos já existentes na MP, como a dispensa da avaliação psicológica apenas para motoristas do RNPC e a gratuidade das taxas do Detran para quem optar exclusivamente pela versão digital do documento. A CNH física passa a ser opcional, permitindo que o cidadão utilize apenas o formato digital em seus dispositivos.

ARGUMENTOS PARA A RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA

Os argumentos do governo federal para extinguir a obrigatoriedade baseavam-se em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que mostram que mais de 99,5% dos motoristas são considerados aptos nos exames. Ou seja, a exigência seria meramente burocrática.

A proposta agora segue para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, onde precisa ser aprovada até o dia 19 de maio de 2026 para não perder a validade.

Até que o processo legislativo seja concluído, as regras da MP original, que já permitiram mais de 1,5 milhão de renovações automáticas sem exame desde dezembro, continuam em vigor temporariamente.

Redação

Related post

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *