Pesquisa aponta 65% de indecisão para deputado estadual e 66% para federal na RMR

Levantamento da UniFafire com 891 moradores também identifica 44,67% de eleitores alinhados ao campo progressista e 26,04% ao conservador

O Centro Universitário Frassinetti do Recife, através da UniFafire Inteligência de Mercado, acaba de divulgar a pesquisa eleitoral e sociopolítica realizada com 891 moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR), entre os dias 17 de agosto e 4 de setembro deste ano. O diagnóstico revela um comportamento duplo no eleitorado metropolitano: enquanto o processo de escolha para os cargos do Poder Executivo encontra-se em estágio avançado de consolidação, as disputas para o Poder Legislativo e para a segunda vaga do Senado Federal permanecem completamente abertas.

De acordo com os dados colhidos em diversos bairros da RMR, como Boa Vista, Casa Forte, Tamarineira, Boa Viagem, Cordeiro e Olinda, 76,32% dos eleitores já decidiram seu voto para Presidente da República e 72,05% também já escolheram o candidato ao Governo de Pernambuco. Nos dois cargos majoritários, o eleitorado exibe alto grau de engajamento e informação: mais de 87% conhecem a sigla partidária de seus candidatos e cerca de 70% ou mais declaram conhecer o candidato a Vice na chapa (79,85% na corrida presencial e 70,25% na estadual).

Em contraste direto com as vagas majoritárias, as escolhas para as casas legislativas enfrentam um afunilamento lento. 65,43% dos entrevistados ainda não definiram candidato para Deputado Estadual e 66,11% não escolheram nome para Deputado Federal.

O cenário de maior incerteza recai sobre o Senado Federal: 72,50% do eleitorado da RMR não fechou sua chapa; 66,33% declaram não ter escolhido nenhum nome e 16,50% definiram apenas uma das duas cadeiras em disputa, deixando a segunda vaga como o campo de maior imprevisibilidade da eleição local.

Contraste sociopolítico: RMR contraria média nacional

No tocante ao posicionamento político e ideológico, o estudo da UniFafire expõe uma nítida assimetria entre a RMR e o cenário nacional. Ao cruzar os dados locais com o levantamento recente da PoderData/Aya (que apontou 45% de eleitores de direita e 29% de esquerda no Brasil), a RMR reafirma sua trajetória histórica progressista:

•⁠  ⁠Bloco Progressista (Esquerda + Centro-Esquerda): 44,67% na RMR (ante 29% no Brasil).

•⁠  ⁠Bloco Conservador (Direita + Centro-Direita): 26,04% na RMR (ante 45% no Brasil).

•⁠  ⁠Bloco Pragmático / Não-Alinhados (Independentes + Centro): 20,65% na RMR.

•⁠  ⁠Sem posicionamento / Não responderam: 8,64% na RMR.

A pesquisa, conduzida pelos alunos da Projetos Consultoria Jr, sob a coordenação do gestor João Paulo Nogueira, apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.

Para o professor da UniFafire, Felipe Ferreira Lima, cientista político e especialista em Direito Eleitoral, a combinação dos dados explica a dinâmica da reta final. “O eleitor do Recife reproduz uma característica estatística do eleitorado brasileiro: a tomada de decisão ‘de cima para baixo’. Ele define primeiro o quadro presidencial e governamental, puxado pela identificação ideológica, e deixa a definição proporcional para a reta final de campanha. A alta taxa de indecisão para Deputados e para a segunda vaga de Senador mostra que a propaganda eleitoral e a presença de rua dos candidatos são determinantes para capturar dois terços do eleitorado que ainda navega sem nome definido.”

Redação

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