Retrofit transforma imóveis do Centro do Recife e amplia espaço para o mercado moveleiro

 Retrofit transforma imóveis do Centro do Recife e amplia espaço para o mercado moveleiro

Reocupação, novos formatos de moradia e conversão de uso aumentam a demanda por soluções planejadas para apartamentos, hotéis, escritórios e áreas comuns

A transformação de imóveis no Centro do Recife vem acompanhada de novas formas de ocupar e utilizar os espaços. Apartamentos compactos, empreendimentos de uso misto, hotéis e projetos de requalificação passam a exigir soluções específicas, criando espaço para a atuação da indústria de móveis planejados.

O movimento ocorre em um mercado imobiliário que também apresenta atividade na Região Metropolitana do Recife. Segundo dados da BCB Inteligência, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), foram comercializadas 1.032 unidades de imóveis novos na região em julho de 2026, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 472,69 milhões. As vendas cresceram 7,2% em relação a junho. A nova metodologia do Índice de Velocidade de Vendas (IVV) passou a cobrir mais de 95% do mercado formal de imóveis novos da região.

No Centro, um dos projetos que reúne diferentes frentes de transformação é a PPP Morar no Centro, da Prefeitura do Recife. O programa prevê 1.128 unidades habitacionais distribuídas em seis empreendimentos e mais de R$ 500 milhões em investimentos ao longo dos 25 anos de concessão. O projeto combina construção, retrofit, requalificação, gestão e operação de imóveis nos bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga.

Novos usos mudam as necessidades dos imóveis

Uma análise da BCB Inteligência sobre o Centro do Recife reuniu resultados de dez estudos realizados ao longo de dois anos, com mais de 3 mil pessoas entrevistadas. O levantamento avaliou fatores considerados pelos consumidores na decisão de morar ou investir na região, incluindo localização, serviços, mobilidade e qualidade de vida.

Na análise da oferta em São José, Boa Vista, Santo Amaro, Ilha do Leite e Soledade, havia 4.850 unidades distribuídas em 30 registros de empreendimentos ou torres. O levantamento mostra diferentes formatos, como apartamentos compactos de 25 a 37 m² em Boa Vista e unidades de até 42 m² em Soledade.

A variedade de plantas cria espaço para soluções específicas de mobiliário, especialmente em ambientes compactos, nos quais armários, bancadas, cozinhas e outros elementos precisam ser dimensionados de acordo com cada unidade. Para Adeilton Pereira, sócio-diretor do Grupo OFFICINA e vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL), essa adaptação está entre as particularidades do retrofit.

“Não há grandes diferenças de um retrofit para um empreendimento novo. Talvez a gente tenha divergências de medidas mais significativas no retrofit. De um quarto para o outro, onde em tese deveriam ser idênticos, pode haver uma variação um pouco maior. Mas nas obras novas também existem diferenças de medida. Então, a gente precisa de projetos inteligentes que superem essa dificuldade nos dois casos, seja novo ou antigo”, explica.

Segundo o empresário, a relação entre a arquitetura existente e o mobiliário também pode influenciar a concepção dos ambientes. A ESSANTO, indústria de móveis planejados do Grupo OFFICINA, localizada em Santa Rita, na Grande João Pessoa, trabalha com projetos sob medida para diferentes tipos de empreendimentos.

“Talvez eles queiram um pouco mais de modernidade no mobiliário, exatamente para contrastar com as edificações que são mais antigas. Eles precisam renovar esses prédios também com a mobília e a decoração. A ESSANTO pode atender essa necessidade específica de cada projeto, além de oferecer agilidade de entrega. Esses são diferenciais importantes”, afirma.

Hotelaria mostra novas possibilidades para o mobiliário

A hotelaria é uma das frentes que acompanham a requalificação de imóveis no Recife. Em fevereiro de 2026, foi inaugurado o Motto by Hilton Recife Antigo, primeiro hotel da marca no Brasil, com 134 apartamentos. Localizado a dois quarteirões do Marco Zero, o empreendimento utiliza mobiliário multifuncional nos quartos, incluindo beliches e sofás-camas.

A ESSANTO participa do retrofit do empreendimento com a produção de mobiliário planejado para as diferentes tipologias de apartamentos, conciliando escala e especificações de cada ambiente.

Para Adeilton Pereira, o caso ilustra uma demanda que pode se estender a outros projetos de hotelaria e residenciais em processo de requalificação. “Sem dúvida existe muita oportunidade de retrofit no Pernambuco e no Nordeste. E o retrofit não ocorre só em prédios históricos tombados. Ele acontece também em hotéis e em residenciais mais antigos. Existe um grande potencial e uma demanda que já bate na nossa porta”, afirma.

O executivo também aponta que o mercado pode se manter ativo à medida que diferentes empreendimentos passam por ciclos de manutenção e renovação. “É uma demanda que eu diria até recorrente. À medida que você está fazendo uma leva, vai surgindo outra. Quando você olha nesse horizonte, falando do Nordeste, você tem muito mercado”, explica.

Mobiliário acompanha diferentes escalas de projeto

Projetos de retrofit também exigem integração entre diferentes etapas da produção de mobiliário. O planejamento entre projeto, fabricação e montagem ganha importância para atender empreendimentos com múltiplas unidades e diferentes especificações.

Para Adeilton Pereira, a expansão desse mercado depende também da ampliação dos projetos de requalificação na região. “Quando você olha para centros históricos, existe muita oportunidade no Nordeste. Mas é um mercado que ainda precisa ser mais descoberto pela própria construção civil e pela rede hoteleira. O mercado só existe para nós se existir para eles. Já nos hotéis mais modernos, essa demanda é mais natural, porque a própria manutenção dos empreendimentos exige essa renovação”, conclui.

Redação

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