Trump chama eleições dos EUA de “corruptas” e compara apuração com processo eleitoral no Brasil

Presidente americano citou a rapidez da divulgação dos resultados do primeiro turno no Brasil para criticar a demora na apuração em cidades e estados dos Estados Unidos

Donald Trump, presidente do Estados Unidos da América – Alex Brandon / Estadão Conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o processo eleitoral em seu próprio país, classificando-o de corrupto e comparando-o com a rapidez na apuração dos votos de 125 milhões de pessoas “no primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil”, onde o ultradireitista Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos e o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, 45%.

“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil. Os resultados foram divulgados logo após o encerramento da votação, no mesmo dia!”, elogiou o ocupante da Casa Branca, frequente antagonista do governo de Lula e aliado do pai do vencedor do primeiro turno das eleições, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dessa forma, Trump aproveitou a votação brasileira – na qual os serviços de inteligência do país latino-americano alertaram para uma possível interferência dos Estados Unidos – para criticar o sistema eleitoral de seu próprio país.

“Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e muitas outras cidades e estados dos Estados Unidos, os resultados, com números (de eleitores) muito menores, costumam levar semanas para serem ‘manipulados’, quero dizer, calculados”, afirmou. “As eleições nos Estados Unidos são corruptas”, concluiu ele, em linha com suas repetidas críticas ao processo democrático de seu país, que costumam se concentrar no suposto voto de pessoas que não teriam a nacionalidade.

De fato, ele mantém uma disputa na Justiça por causa das restrições ao voto que tentou implementar para as eleições de 3 de novembro e que a Suprema Corte rejeitou em meados de setembro

O magnata republicano se pronunciou dessa forma quando falta menos de um mês para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos – as “midterms” –, nas quais o Partido Republicano enfrenta o Partido Democrata pelas 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e por aproximadamente um terço das 100 cadeiras do Senado, o que poderia alterar as maiorias nas duas casas.

Donald Trump tem se gabado, em suas últimas intervenções públicas, de dados econômicos, migratórios e de criminalidade, com o objetivo de reforçar a primeira metade de seu mandato antes da votação. Ao mesmo tempo, ele também tentou impulsionar a participação do eleitorado conservador prometendo distribuir quase 4.300 euros a cada cidadão adulto do país caso o Partido Republicano saia vitorioso.

Redação

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