Autônomos trabalham mais que empregados formais no Brasil, aponta IBGE

Dados da Pnad Contínua mostram que trabalhadores por conta própria têm jornada média de 45 horas semanais, em meio ao debate sobre o fim da escala 6x1

Trabalhadores autônomos tem jornada de trabalho mais longa do que quem tem carteira assinada, aponta IBGE – RENATO RAMOS/JC IMAGEM

Informações do JC

Os profissionais autônomos no Brasil enfrentam uma carga horária superior à de empregados com carteira assinada e até mesmo à de empregadores. Segundo dados da Pnad Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média de trabalho desse grupo atingiu 45 horas semanais nos três primeiros meses de 2026.

Esse volume equivale a uma rotina de nove horas diárias de segunda a sexta-feira, ou mais de seis horas trabalhadas ininterruptamente de domingo a domingo.

A divulgação desses números ocorre em um momento de intenso debate nacional sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1.

A equação do volume de trabalho versus renda


Para o trabalhador independente, a ausência de uma remuneração fixa mensal atua como um impulsionador da jornada estendida. De acordo com a advogada trabalhista Ana Carolina Cabral, o autônomo é frequentemente forçado a compensar a busca por estabilidade financeira com um maior volume de serviço.

Diferente do regime assalariado, onde o pagamento independe de imprevistos cotidianos, quem trabalha por conta própria carrega sozinho a responsabilidade pela prospecção de clientes e gestão do tempo.

“É uma equação onde muitas vezes se trabalha mais para ter o mesmo ou menos, sem a proteção legal automática conferida aos empregados”, destaca a especialista.

Seguridade Social: A importância de construir a própria proteção

Um dos grandes desafios do trabalho autônomo é a garantia de direitos em casos de imprevistos. Enquanto o trabalhador celetista tem seus direitos garantidos pelo empregador, o autônomo precisa construir sua própria rede de segurança.

O ponto de partida fundamental é a filiação ao INSS como contribuinte individual, uma medida que não é opcional e garante acesso a benefícios essenciais como:

Aposentadoria;
Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);
Auxílio-maternidade;
Pensão por morte para dependentes.

Atualmente, modalidades como o Microempreendedor Individual (MEI) oferecem processos simplificados e alíquotas reduzidas, facilitando essa formalização.

Saúde e ergonomia: orientações para rotinas intensas


A jornada exaustiva traz riscos diretos à saúde física e mental. O médico trabalhista Dr. Manuel Simões reforça a necessidade de pausas ao longo do dia e de respeitar o descanso semanal para evitar o cansaço extremo e a ansiedade.

Entre as recomendações fundamentais para manter a produtividade e o bem-estar estão:

Qualidade do sono: dormir entre 7 e 8 horas por dia;
Alimentação: priorizar “comida de verdade” (arroz, feijão, legumes) e manter a hidratação;
Atividade física: realizar ao menos 150 minutos de exercícios por semana;
Lazer: reservar tempo para convivência social.

Para os trabalhadores de aplicativo, que passam longos períodos em veículos, o cuidado deve ser redobrado. O Dr. Simões orienta que motoristas ajustem o banco para manter a coluna apoiada e ombros relaxados. Já os motociclistas devem focar no alinhamento da coluna e realizar alongamentos constantes durante as pausas para mitigar os impactos da rotina urbana.

Texto gerado com auxílio de inteligência artificial.

Redação

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