Brasil pode registrar até 1,8 milhão de casos de dengue em 2026, alertam especialistas Projeções da Fiocruz e FGV indicam alta das arboviroses; infectologista reforça importância da vacinação, do uso de repelentes e do diagnóstico precoce.
Projeções da Fiocruz e FGV indicam alta das arboviroses; infectologista reforça importância da vacinação, do uso de repelentes e do diagnóstico precoce.
A combinação de altas temperaturas e períodos de chuva aumenta o risco de circulação das arboviroses no Brasil. Projeções do projeto internacional IMDC (InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz e a Fundação Getulio Vargas (FGV), indicam que o Brasil pode registrar até 1,8 milhão de casos de dengue ao longo de 2026. Zika, chikungunya e febre amarela também são transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti.
“A dengue pode se manifestar desde quadros leves até formas bastante graves, como a febre hemorrágica e o choque circulatório, com maior risco para idosos e pessoas com comorbidades”, explica o infectologista Filipe Prohaska, do Hospital Santa Joana Recife, que faz parte da Rede Américas.
Atualmente, circulam quatro sorotipos do vírus, o que permite a reincidência de contaminação mesmo em pessoas que já tiveram a doença em anos anteriores. “Entre os subtipos no Brasil, temos os DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4; e, a cada epidemia, uma nova geração fica a exposta a um subtipo diferente, sendo essencial a prevenção mesmo para quem já teve dengue anteriormente”, alerta o infectologista.
Os primeiros sintomas costumam ser dor de cabeça, dor atrás dos olhos, febre e manchas avermelhadas na pele. No entanto, a evolução pode exigir atenção imediata. Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, queda de pressão e alterações do nível de consciência são sinais de alerta e indicam necessidade de avaliação médica urgente. “O grande desafio da dengue são os grupos de risco, que tendem a ter infecções mais graves, principalmente os pacientes muitos jovens ou muito idosos, gestantes, imunossuprimidos ou mesmo pacientes que têm dificuldade em se hidratar, como cardiopatas e os nefropatas [pacientes com problemas nos rins]”, complementa.
Prevenção e diagnóstico
A prevenção ainda é a melhor arma contra a dengue, sendo evitar os criadores a principal estratégia.“O primeiro passo para evitar a reprodução do mosquito é o controle da água parada, mas isso é ainda muito complexo devido aos problemas habitacionais que temos nas capitais do Nordeste. Outra forma de prevenção importante é repelir o mosquito, através do uso diário de repelentes”, explica Prohaska.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Anvisa, para ser eficaz contra o mosquito da dengue, o repelente deve conter Icaridina em uma concentração de 20 a 25%, DEET, de 10–15%, e IR3535, sendo que o que muda entre eles é o tempo de proteção. “Existem vários tipos de repelentes, que protegem de 3h até 12h, sendo essencial observar a duração da proteção para saber se há necessidade de reaplicá-lo durante o dia ou não”, afirma o infectologista. “Sempre gosto de lembrar que há repelentes que são específicos para crianças e gestantes, nas mais diversas formas, como loção, creme ou spray. Então, a família precisa observar bem o produto para saber qual se encaixa melhor para o seu perfil”, complementa Prohaska.
Vacinação mais eficiente chega ao SUS em janeiro
O cenário atual de vacinação contra a dengue, até o momento, incluía duas vacinas licenciadas no Brasil: Dengvaxia (CYD-TDV) e Qdenga (TAK-003). Como resposta ao cenário previsto para 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a adotar novas estratégias de vacinação, incluindo a aplicação inicial da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante, de dose única, começou a ser aplicado nesta semana, com foco inicial na população de 15 a 59 anos e em profissionais da atenção primária. A estratégia prevê ampliação gradual conforme o aumento da produção das doses.
“A vacina é ferramenta chave e representa um avanço importante no combate à dengue, mas não substitui os cuidados individuais nem o controle do mosquito. Pessoas vacinadas estão protegidas apenas contra a dengue, mas não contra a zika, chikungunya e outras enfermidades transmitidas pelo Aedes aegypti. Além da vacina, evitar criadouro e o uso de repelentes são fundamentais, principalmente para as gestantes que têm um impacto muito negativo na formação do feto quando infectadas pela zika”, conclui Filipe Prohaska.
Sobre a Rede Américas
A Rede Américas é a segunda maior rede de hospitais do Brasil, com atuação em oito estados (SP, RJ, PR, BA, PE, MA, SE, RN) e no DF. São 27 hospitais e 42 unidades oncológicas, resultado da joint venture entre Dasa e Amil.
Com mais de 34 mil colaboradores, 40 mil médicos atuantes e mais de 4.200 leitos, une excelência clínica, inovação contínua e olhar humano. Guiada pelo propósito “Paixão por cuidar”, alia qualidade assistencial e segurança em cada etapa do atendimento aos pacientes.




