Educação Antirracista: Transformando Escolas e Construindo Consciência Social

Pesquisa revela que 40% dos brasileiros já vivenciaram racismo na escola; especialistas destacam a importância da educação antirracista desde a infância.
 Educação Antirracista: Transformando Escolas e Construindo Consciência Social

Foto: Reprodução

Uma pesquisa realizada pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (IPEC) revela que 40% dos brasileiros já vivenciaram episódios de preconceito racial em ambientes educacionais, evidenciando a urgência de estratégias para combater o racismo nas escolas. Embora muitas instituições estejam focadas em iniciativas contra o bullying, a falta de abordagem específica sobre o racismo é uma lacuna preocupante.

As leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008, determinam o ensino da história africana e dos povos originários, mas os especialistas destacam a necessidade de ir além. “A própria instituição, a própria escola, precisa se repensar. Quais são suas referências teóricas, culturais, estéticas? Elas têm diversidade nesses espaços?“, questiona Patrícia Queiroz, consultora pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida (LIV).

O LIV, presente em mais de 600 escolas em todo o país, desenvolveu uma trilha antirracista para professores, propondo ações concretas. Entre elas, a atenção ao material pedagógico, garantindo sua adequação à diversidade brasileira. Na educação infantil, a trilha sugere abordagens lúdicas, utilizando literatura, brincadeiras e referências artísticas para promover o conhecimento e respeito à diversidade.

Outro ponto crucial destacado por Patrícia é a composição racial das escolas. “Temos diversidade na composição dos profissionais da escola? Como é composto o meu quadro docente e discente? Esse movimento inclui revisar ponto a ponto da escola, dos documentos até a materialidade cotidiana, para garantir que tudo caminhe sob a ótica antirracista“.

Para a especialista do LIV, a educação antirracista deve ser incorporada desde o início da vida escolar, adaptando a abordagem conforme a faixa etária. A trilha propõe estratégias lúdicas nos anos iniciais e abordagens mais aprofundadas com alunos mais velhos, discutindo o impacto do racismo na sociedade.

A educação socioemocional, segundo os especialistas, é uma aliada na construção de escolas antirracistas, desenvolvendo espaços de fala e escuta, empatia e pensamento crítico, habilidades essenciais para uma convivência mais respeitosa. “A educação antirracista não é apenas um tópico de estudo; ela faz parte de uma mudança prática que queremos ver na sociedade“, conclui Patrícia, destacando a importância de envolver toda a comunidade escolar nesse processo transformador.

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