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Qual a relação entre as mudanças climáticas e a saúde humana?

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em

Isabelle Vilela

Primeiramente, o que são mudanças climáticas? São variações do clima ao longo do tempo que podem ocorrer por causas naturais e antrópicas, causadas pelo homem (1). O aumento da temperatura global, extremos de chuvas e secas, mudanças na umidade do ar, derretimento das calotas polares, aumento do nível do mar, furacões, erosão costeira e muitos outros fenômenos são exemplos dessas variações observadas ao longo do tempo.  De acordo com David Attenborough, no relatório de “Mudanças Climáticas”, se não tomarmos medidas drásticas atualmente, vamos enfrentar danos ainda mais severos e irreversíveis do planeta, assim como um colapso socioeconômico nos próximos anos.

                Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) esses fenômenos climáticos e outras resultantes podem ser a causa de 50 mil mortes adicionais por ano até 2030. A OMS em 2015 publicou “Investing to overcome the global impact ofneglected tropical diseases”, relatando a correlação entre as mudanças climáticas e doenças tropicais. O aumento anômalo da temperatura global na terra pode causar a expansão da zona de clima tropical do planeta, consequentemente ampliando as áreas de abrangência de doenças tropicais, como exemplo a Zika, Malária e Dengue. O mosquito causador da Dengue, “Aedes aegypti”, depende de variáveis físicas como temperatura, precipitação e umidade do ar para completar seu ciclo de vida com sucesso (2,3). Além disso, durante décadas, cientistas vem alertando que as mudanças climáticas poderiam estar associadas a alterações na epidemiologia de doenças infecciosas (4,5), focando em como o clima afetará a distribuição de micróbios patogênicos e vetores de doenças infecciosas. Logo, a forte possibilidade de que novas doenças infecciosas previamente desconhecidas podem aparecer em temperaturas mais elevadas.

                Além dessas doenças, muitas outras podem ser influenciadas pelas mudanças no clima, como as cardiopulmonares agravadas quando a fumaça da biomassa atinge níveis não saudáveis ​​(6,7) influenciada por fatores como os incêndios. A ocorrência de incêndios vem aumentando com a crescente incidência de secas extremas, como no Brasil que vem sofrendo, na Amazônia por exemplo, a incidência de secas desde 2000 tem sido mais frequente do que no século passado (8, 9).

                Há alguns meses não se imaginava que o mundo sofreria drasticamente, como ao ser pego de surpresa pela pandemia do COVID-19, porém há décadas os cientistas alertam sobres os impactos gerados pelas mudanças climáticas e não é dado a devida importância do quanto a saúde humana é suscetível a essas alterações. Logo, mesmo em meio a uma pandemia, é preciso dar atenção as regiões vulneráveis em cenários de mudanças climáticas, monitorando a incidência e expansão geográfica de doenças. Para os impactos irreversíveis é crucial projetar meios de adaptação, além de paralelamente buscar o desenvolvimento sustentável, levando em consideração que a ação do homem altera o meio ambiente potencializando a transmissão de doenças emergentes e contribuindo para a instalação de novas doenças, sem descartar o risco do surgimento de outras pandemias.

Referencias:

1. Decreto nº 2.652, de 1º de julho de 1998. Promulga a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assinada em Nova York, em 9 de maio de 1992. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2652.htm.

2. ASSAD, Leonor. Relações perigosas: aumento de temperatura e doenças negligenciadas. In Revista Ciência e Cultura. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252016000100007.

3. Relação explosiva: aquecimento global e doenças tropicais. Publicação: 6 de novembro de 2019. Por meio de modelos matemáticos, cientistas estimam como será, até o fim do século, a área de distribuição de quatro arbovírus: Oropouche, Mayaro, Rocio e vírus da encefalite de Saint Louis. In: https://www.sbmt.org.br/portal/relacao-explosiva-aquecimento-global-e-doencas-tropicais.

4. Centers for Disease Control and Prevention. Emerging Infections: Microbial Threats to the United States. Washington, DC, USA: Institute of Medicine; 1992. 

5. Patz JA, Epstein PR, Burke TA, Balbus JM. Global climate change and emerging infectious diseases. JAMA. 1996;275(3):217–223.

6. C.T. Fowler. Human health impacts of forest fires in the southern united states: a literature review. J. Ecol. Anthropol., 7 (2003), p. 39, 10.5038/2162-4593.7.1.3

7. J. Schwartz, D. Slater, T.V. Larson, W.E. Pierson, J.Q. Koenig. Particulate air pollution and hospital emergency room visits for asthma in seattle. Am. Rev. Respir. Dis., 147 (1993), pp. 826-831, 10.1164/ajrccm/147.4.826.

8. M. Gloor, R.J.W. Brienen, D. Galbraith, T.R. Feldpausch, J. Schöngart, J.-L. Guyot, J.C. Espinoza, J. Lloyd, O.L. Phillips. Intensification of the Amazon hydrological cycle over the last two decades. Geophys. Res. Lett., 40 (2013), pp. 1729-1733, 10.1002/grl.50377.

9. J.A. Marengo, J.C. Espinoza. Extreme seasonal droughts and floods in Amazonia: causes, trends and impacts. Int. J. Climatol., 36 (2015), pp. 1033-1050.

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