Custo para empresas pode aumentar em até R$ 267 bilhões com redução da jornada para 40 horas, indica pesquisa da CNI

 Custo para empresas pode aumentar em até R$ 267 bilhões com redução da jornada para 40 horas, indica pesquisa da CNI

Estudo aponta que redução da jornada de trabalho pode aumentar custos para empresas

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu o alerta no setor produtivo ao estimar que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode gerar um impacto anual entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões na folha de pagamento das empresas brasileiras. Na prática, isso representaria um aumento de até 7% nos custos com pessoal formal.

O estudo surge em meio ao aquecimento do debate sobre o fim da escala 6×1, tema que ganhou força nas redes sociais e deve entrar de vez na pauta do Congresso Nacional em 2026. Para a CNI, a mudança, se não for amplamente debatida, pode trazer efeitos colaterais relevantes para a economia.

Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, a tendência é de aumento do custo unitário do trabalho e redução da competitividade das empresas nacionais. “O cenário mais provável é de queda da produção, do emprego e da renda, com impacto direto no PIB”, avaliou.

A projeção da CNI considera dois caminhos possíveis para as empresas manterem o nível atual de produção: recorrer a horas extras ou ampliar o quadro de funcionários. Em ambos os casos, o custo sobe. No setor industrial, o impacto pode chegar a 11,1% da folha de salários, com aumento de despesas que varia de R$ 58,5 bilhões a R$ 87,8 bilhões por ano, dependendo da estratégia adotada.

Entre os 32 segmentos industriais analisados, 21 teriam aumento de custos acima da média do setor. Os impactos estimados variam conforme a atividade econômica, atingindo com mais força setores como construção civil, comércio, agropecuária e indústria de transformação.

O estudo também aponta que micro e pequenas empresas tendem a ser as mais afetadas. Elas concentram grande parte dos trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas e têm menos margem financeira e estrutural para contratar novos funcionários ou absorver custos extras. Para a CNI, isso pode resultar em redução de produção, perda de competitividade e, no limite, corte de postos de trabalho.

A entidade defende que o tema seja tratado com cautela. A avaliação é de que qualquer mudança na legislação trabalhista precisa levar em conta as diferenças regionais, a diversidade dos setores produtivos e a capacidade real de adaptação das empresas, especialmente das de menor porte.

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