Celebridades fora da corrida: Tiririca, Datena, Caneta Azul e outros não conseguem votos em 2026
Apesar de milhões de fãs, visibilidade nas telinhas e grande sucesso nas redes sociais, uma série de figuras públicas não conseguiu se eleger nas últimas eleições
As urnas não avaliam popularidade, não contabilizam likes e muito menos seguidores. As eleições de 2026 trouxeram à tona essa realidade para um grupo considerável de celebridades que, durante a campanha, deixaram seus palcos e estúdios para se aventurar na política.
Nomes como Tiririca, José Luiz Datena, Manoel Gomes — o Caneta Azul —, Geraldo Luís, Inês Brasil, Silvia Abravanel, Andréa Sorvetão e MC Gui figuram entre os que não obtiveram sucesso.
Alguns deles chegaram à disputa com milhões de visualizações e uma notoriedade que levaria anos para muitos políticos convencionais conquistarem. Contudo, na hora da votação, o resultado foi surpreendente.
Tiririca: do auge eleitoral ao fracasso
O caso mais emblemático é o de Tiririca.
Ao entrar na política em 2010, o humorista tornou-se um fenômeno nacional ao receber mais de 1,3 milhão de votos para deputado federal por São Paulo.
No entanto, após várias eleições, decidiu mudar seu foco e concorrer no Ceará em 2026.
Essa estratégia não trouxe os resultados esperados.
Tiririca obteve apenas cerca de 5 mil votos, uma queda drástica para quem já foi um dos mais votados do país.
Audiência não garante vitória: Datena e Geraldo Luís
Duas personalidades da televisão também encontraram dificuldade em converter seu reconhecimento em sucesso político.
José Luiz Datena, um veterano da mídia brasileira e figura constante nos debates políticos, participou novamente das eleições, mas saiu sem mandato.
Outro apresentador que tentou a sorte foi Geraldo Luís, que percebeu na prática a distância entre ser popular e conquistar votos.
A televisão pode tornar alguém conhecido por milhões no Brasil; no entanto, as eleições mostraram que isso não equivale automaticamente a ter confiança eleitoral.
A diferença entre viralizar e ganhar votos: Caneta Azul e Inês Brasil
No universo das redes sociais, a lista dos que não tiveram sucesso também é notável.
Manoel Gomes, famoso pelo hit “Caneta Azul”, tentou transferir sua imensa popularidade online para a política.
<pNão obteve êxito neste intento.
Inês Brasil, outro ícone da internet brasileira, também não conseguiu se eleger.
A trajetória dos dois evidencia uma lição fundamental para influenciadores que desejam adentrar a política:
engajamento online não se traduz em votos reais.
É possível acumular milhões de visualizações e seguidores sem ter uma base eleitoral sólida.
Candidatos variados: Silvia Abravanel a MC Gui
A lista de celebridades derrotadas continua além dos já citados.
Silvia Abravanel, filha do lendário Silvio Santos e com uma carreira consolidada na televisão, também não alcançou uma cadeira no legislativo.
A ex-paquita Andréa Sorvetão, assim como outros artistas como MC Gui e Netinho de Paula, também falharam em conquistar os cargos disputados.
Ainda no cenário artístico, o ex-BBB e ator Lucas Penteado também ficou fora da disputa.
Todas essas histórias têm diferentes trajetórias mas culminaram em um mesmo desfecho nas urnas.
A fama ajuda, mas não é suficiente
Celebrities possuem uma vantagem inicial evidente em campanhas eleitorais: já são amplamente reconhecidas.
Diferentemente dos candidatos tradicionais que precisam investir tempo e recursos para apresentar suas candidaturas ao público, artistas e influenciadores começam com um certo grau de notoriedade já estabelecido.
No entanto, as eleições de 2026 evidenciaram que saber quem alguém é não garante automaticamente o voto desse eleitor.
Pontos como filiação partidária, propostas políticas e histórico pessoal são observados pelo eleitor ao decidir seu voto.
Cabe destacar ainda que seguidores podem estar dispersos pelo país todo; portanto um influenciador com milhões de fãs pode ter dificuldades para obter votos onde realmente precisa.
A urna não interage com likes
A conclusão das eleições de 2026 traz reflexões interessantes sobre a intersecção entre entretenimento, redes sociais e política.
A popularidade pode abrir portas; contudo, isso não assegura um cargo eletivo.
Tiririca já registrou mais de 1,3 milhão de votos em sua carreira.
No caso de Datena, sua experiência na televisão é extensa.
E “Caneta Azul” fez sucesso nacionalmente.
A presença digital massiva de Inês Brasil é inegável.
No entanto, todos eles terminaram as eleições sem alcançar os objetivos almejados.
No fim das contas, a eleição apresentou uma matemática simples — e cruel — para aqueles que confundiram alcance com poder eleitoral:
Cada seguidor acompanha; fã assiste; mas eleitor precisa ter motivos para votar.
Jornalista especializado em publicidade e estratégias políticas. É diretor do Consórcio de Notícias do Brasil e apresentador do CNBCAST além de autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência sobre narrativas eleitorais e estratégias políticas eficazes.

